PRESTIGE RECORDS – BOX SENSACIONAL – E OUTROS DISCOS ORIGINAIS

É interessante observar o capitalismo democrático, onde a maioria decide por votos os destinos políticos de um país. Um contraponto curioso aos milhões de pequenos, médios a grandes empreendedores, quase autocracias que tocam os negócios orientados pela visão de seus donos.
Assim é a democracia liberal. Onde prevalece a liberdade individual e de empreender. Sem a iniciativa privada seria impossível a criação de gravadoras como a PRESTIGE, VERVE, BLUE NOTE, ECM, BISCOITO FINO, entre muitas e muitas várias.
É a diversidade equilibrando a concorrência, opiniões e poderes. É tão importante quanto a criação e a criatividade dos artistas.
GRAVADORA BOUTIQUE de alto nível, a PRESTIGE foi criada em Nova York por BOB WEINSTOCK, um colecionador de discos – claro, como sempre! -, que aos 20 anos de idade vislumbrou a chance. Começou gravando e prensando os discos, inicialmente vendidos pelo correio, e depois virou também lojista.
Ler os livretos dessas coleções é uma delícia!
Este, por exemplo, vai fundo em poucas páginas, e recorda engenheiros, gente do marketing, funcionários e os vários que fizeram a gravadora prosperar em ESTADO DA ARTE.
É difícil saber o quê é melhor no catálogo artístico. Se os “LEADERS”, gente como COLTRANE, MILES, GENE AMMONS. Ou os “SIDERS”, músicos em nível de ART BLAKEY, KENNY BURRELL, PERCY HEATH, e incontáveis.
Todos por lá militaram nos 21 anos de existência da gravadora; e até que o “selo” fosse vendido para a “FANTASY RECORDS”. E, daí em diante ganhou o mundo através de reedições diversas e imprescindíveis!
WEINSTOCK orientou o estilo para o HARD-BOP, e o que foi descrito como “DISTINCTIVE BOP, fronteiras com a VANGUARDA de gente como ERIC DOLPHY. E foi fundo no “SOUL – JAZZ” revelando organistas da estirpe de GROOVE HOLMES, JACK MCDUFFY e SHIRLEY SCOTT. Tudo com muito balanço, e festeiro até hoje!
BOB WEINSTOCK, gravava e gostava de JAMS-SESSIONS; incentivava a espontaneidade e a “SELF-EXPRESSION ESTILÍSTICA”, digamos.
Por isso, há poucos takes alternativos nas gravações. Foram, também, pouquíssimos os cantores e cantoras. Curiosamente….
Mas, lá estiveram ETTA JONES e ANNIE ROSS.
Gravou, também, MOSE ALLISON – um dos inovadores do vocal “JAZZY”, como CHET BAKER e JOÃO GILBERTO. Em resumo, alta classe eternizada em conta-gotas nas coleções de quem gosta.
Este BOX tem um pouco de todos, e abre apetites e ouvidos. E cada CD traz a estampa e a evolução dos selos originais.
Postei, também, alguns discos originais, entre 1956 e 1969, alguns remasterizados no Japão, para serem relançados. A PRESTIGE é o fino do fino, entre vários finos e refinados contemporâneos, ou não.
É tudo muito legal de ouvir e colecionar!
Recomendo pra valer!
POSTAGEM ATUALIZADA 21/04/2025
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JOHN LYDON, A LENDA, “P.I.L. METAL BOX” & BEYOND

P.I.L. – THE METAL BOX, 1979 – É A EVOLUÇÃO ARTÍSTICA DE JOHN LYDON – O DIFERENTE!
Eu sempre quis ter esse disco. Uns trinta anos atrás, consegui uma cópia em vinil com a embalagem metálica em mau estado. Eram 3 LPs de 12 polegadas, em rotação 45RPM. Tempos depois, passei para frente… Eu havia aderido aos CDS – fazer o quê!
Agora, comprei essa edição japonesa com três CDs, como a original em vinil. É muito bem remasterizada. A produção gráfica deixa a desejar, porque o texto só vem escrito na língua dos irmãozinhos de olhos puxados… Escutei vários dias para tentar escrever alguma coisa que valha a pena.
Gostei. É obrigatório reconhecer que JOHN LYDON melhorou muito enquanto artista e profissional. Foi criando obra consistente e diferenciada. Na foto, um EP em vinil de 12 polegadas, gravado ao vivo em NOVA YORK, em 2010. Comprei porque achei que seria barato. Não foi… Mas não ouvi; não tenho Pick -up.
A edição de MARÇO 2025 da revista RECORD COLLECTOR traz JOHN LYDON na capa. Matéria imensa, que não li toda. São 14 páginas, espaço somente reservado para gente como BOWIE, McCARTNEY, ou de igual quilate ou fama. É longuíssima entrevista abordando a vida, perrengues a música. Mostra capas de discos que ele gosta, etc…
Mas confesso: eu mal sabia por onde começar a falar sobre o ex – ROTTEN e sua aventura artística; a fama e mística nada recônditas no UNDERGROUND. E e de sua importância para o ROCK após o advento do PUNK. JOHN LYDON, com o P.I.L. – “PUBLIC IMAGE LIMITED” – é considerado o iniciador do PÓS – PUNK, em 1978. Então, fui em drágeas, homeopaticamente.
Mas TIO SÉRGIO, o que é esse tal de PÓS-PUNK?
É vasto Universo expandido abarcando tantas e variadas tendências que se entrelaçam, contradizem, ou reafirmam; talvez bastasse dizer que da NEW WAVE, passando pelo TECHNOPOP, ROCK INDUSTRIAL, MÚSICA EXPERIMENTAL ELETRÔNICA, ROCK ALTERNATIVO, e até o GRUNGE, é tudo obviamente PÓS-PUNK.
E LYDON com o P.I.L. flerta inclusive com sobreviventes meio tortos do KRAUTROCK, tipo o “CAN”; e remanescentes do PROGRESSIVO como “PETER HAMILL” e o “VAN DER GRAAF GENERATOR”. E sem deixar de lembrar do “KING CRIMSON”, cujo álbum RED foi encontrado no CD player de KURT COBAIN – o “GRUNGE” primordial com o NIRVANA -, quando ele se suicidou.
De certa forma, todos de algum modo foram aliciados para orbitar esse “AMPLO RÓTULO RELUZENTE”!
Você tá maluco de vez, TIO SÉRGIO?
Acho que não. Mas muita gente sustentaria que sim… Eu só exponho a controvérsia.
Estão na formação da música do “P.I.L” desde o “CAPTAIN BEEFHEART”; lascas de “ALICE COOPER”; e “JOHN CALE” do VELVET UNDERGROUND. E tudo amalgamado ao GOTHIC ROCK, confeitado por levadas do REGGAE, e coisas de WORLD MUSIC distorcidas via o guitarrista NICK SCOPPELITS, e baixistas alternativos, como BILL LAZWELL; e JAH WOBBLE – e seu ritmo e andamentos marcantes e repetitivos.
E para arrematar, bem azeitado por “DANCE MUSIC MEIO TRIBAL”; misturada nessa “fritada” ROCK do “suis – generis” KEITH LAVENE, estilista da guitarra, de som cortante até os nervo, como bisturi; e pontiagudo – penetrando ouvido adentro feito agulha!
Tudo isso embalando as letras de LYDON, cantadas por ele de maneira peculiarmente estudada e – pasmem!!! – “afinada”: porque cheia de estilo e personalidade, controlando as dissonâncias, interpretando e dando sentido ao trabalho da banda – que é boa e sustenta o impactante e criativo caos gerado!
Pra tentar resumir de outro jeito, fiz um apanhado de conceitos e adjetivos usados para definir a música do “P.I.L”: DARK, ANSIOSA, RITMICAMENTE REPETITIVA, FRIA, AVANT GARDE, DISSONANTE, ABSTRATA, NIILISTA, SARCÁSTICA, HIPNÓTICA, RUDE, ETÉREA, MISTERIOSA, CATÁRTICA e NOTURNA!”
Deu pra sacar?
Provavelmente, porra nenhuma!
Ou quem sabe alguma coisa se depreenda nessa maçaroca diferenciada e cativante…
JOHN LYDON levou o grupo em um crescendo de fama e performance pelos primeiros quatro discos do P.I.L. Depois, ele e banda ao tentar fazer o quinto, chamado de simplesmente ALBUM, se desentenderam. E como havia mais grana para produzir, LYDON saiu do alternativo geral e contratou gente famosa e craque:
GINGER BAKER e TONY WILLIANS na bateria. STEVE VAI, na guitarra e LEON SHANKAR, violino. E junto com BILL LAZWELL, na produção e no baixo, gravaram rapidamente o disco. Ninguém foi creditado nos encartes ou capas, mas todos ganharam bem…
O álbum ficou espetacular!
LYDON já passou dos 69. Esteve com a mesma mulher, a ex -modelo NORA FORSTER de 1979 até 2023, quando ela morreu de ALZHEIMER, aos 80 anos. Ele deixou de fazer shows durante bom tempo para cuidar dela. Pouco depois, seu empresário e amigo desde o começo, JOHN “RAMBO” STEVENS, também morreu, o que o pôs fora de rumo. Antes, ele também se tornara íntimo do tecladista KEITH EMERSON, um suposto antípoda estético – não eram…. Foram vizinhos na Califórnia. E JOHN foi dos primeiros a chegar para o ver o amigo que havia se suicidado. É um cara ético, como a gente percebe nos três casos
Li coisas surpreendentes para um indivíduo tido como drogado e maluco… O que se sabe de verdade, é que fuma loucamente; bebe cerveja LAGER, e torce pelo ARSENAL.
LYDON pode ser muita coisa, mas irracional e ingênuo não é! No decorrer da vida, demostrou ser um cara comunicativo e excelente relações públicas. Ele é muito esperto e inteligente. Li que a sua fortuna é imensa! Um ativo de 245 milhões de dólares: perto de um R$ 1 BILHÃO E MEIO DE REAIS!!! mais ou menos. Você leu corretamente! hummmm!!!!!
Devemos acreditar? ROBERT SMITH ( THE CURE ) muito mais ativo e famoso, e de carreira contínua e bem sucedida, teria um ativo de $ 44 milhões de dólares… O salto cósmico na riqueza de LYDON cheira improvável… Mas, vai saber, né! Por quê ele mentiria, atraindo o fisco contra si mesmo?
Anos atrás, ele perdeu ação contra os SEX PISTOLS, porque se opôs a licenciar as músicas da banda para uma série feita sobre eles… Ainda assim, faturou $ 5 milhões de dólares com a cessão…
Ao contrário da maioria dos punks, JOHN LYDON sempre foi e permanece um eclético e antenado amante de música. Não o compare ou confunda como STEVE VICIOUS, colega nos SEX PISTOLS.
JOHN LYDON gosta de COLTRANE, adora MILES DAVIS, e os citados que o influenciaram, entre muitos e muitos outros. JOHN aprecia RAY DAVIS, NEIL YOUNG e BRYAN FERRY. Sua coleção de discos é imensa e, segundo ele, impossível de ser transportada de LONDRES, onde tem casa, para MALIBU, na Califórnia, onde passou a morar.
Ele está em plena atividade. Eu o assisti com a banda no YOUTUBE, não muito tempo atrás. Entrou na “vibe” de seus pares de geração, THE CURE, SIOUXIE, NEW ORDER, etc… no mesmo tipo de som, algo “PROG” que, no caso dele, faz todo sentido estético.
Enfim, este é um breve perfil de JOHN LYDON, um artista e homem um tanto longe do que aparenta ser! Eu recomendo que ouçam este rebelde surpreendente! O interesse pela obra dele vem aumentando. Vale tentar.
POSTAGEM ORIGINAL 20/04/2025
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“ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD”, DE TARANTINO, E A TRILHA SONORA DO LADO B DA CONTRACULTURA AMERICANA

A discografia aqui postada é pequena, porém reluzente. No filme de TARANTINO, estão mais de trinta músicas. Alguns pingentes preciosos dos MAMA´S & THE PAPAS, PAUL REVERE & The RAIDERS, VANILLA FUDGE, e BOB SEGER e BUFFALO SPRINGFIELD também.
Vêm mesclados com HITS MENORES e ainda onipresentes, mas quase desconhecidos fora dos E.U.A, tipo “SNOOPY X RED BARON, dos ROYAL GUARDSMEN; “SUMMERTIME”, na versão SOUL cheia de estilo, feita por BILLY STEWART; e coisas dos BOX TOPS, LOS BRAVOS, GRASS ROOTS, entre acepipes do POP AMERICANO DA DÉCADA dos 1960, que cito mais à frente…
Os interessados na CONTRACULTURA daquela década precisam assistir ao filme de TARANTINO; vez por outra rola nos canais da HBO. É uma “HISTÓRIA CULTURAL”, quase “ANTROPOLÓGICA” do LADO B dos tempos do “PAZ E AMOR”: A violência excessiva e injustificável, levada ao paroxismo com naturalidade absurda. É defeito repugnante bem americano…
GRAHAN GREENE, o grande escritor inglês, dizia que os americanos são interessantes, porque capazes de cometer as maiores atrocidades com leveza e inocência na alma! Pura verdade!!!
As caras de “bolachas” de LEONARDO DI CAPRIO e BRAD PITT, os atores principais, em performances antológicas, esconde a imensa disposição para perpetrar violências em legítima defesa, ou porque simplesmente foram provocados.
Esta SUBCULTURA DA VIOLÊNCIA EXTREMADA permeia a obra de TARANTINO, e os filmes de CHARLES BRONSON, SCHWARZENEGER, entre tantos e vários. Está nos BANG-BANGS, na imensa produção de filmes de GUERRA, nas SÉRIES POLICIAIS. E na manutenção da PENA DE MORTE em país democrático e “civilizado”!
Nem vou levar o papo para a POLÍTICA, e o significado último e nada encoberto da ascensão da EXTREMA DIREITA por lá – e mundo afora, também, sejamos justos… Há um CANO FUMEGANTE COMO “HIPÓTESE DE MÉTODO NA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS”. Quaisquer conflitos…
E também na pesquisa de armas para destruição em massa, sempre em nome da ciência e das melhores causas. Observem o excepcional filme “OPPENHEIMER”, ganhador do OSCAR, em 2024, o desenvolvimento de vários personagens, e a posterior crise de consciência do personagem principal, horrorizado consigo mesmo e suas responsabilidades!
Há muitas coisas, e fatos passíveis de citação… Sem dizer sobre a hoje mais contida, mas ainda onipresente POLÍTICA DO BIG STICK, nas retóricas da guerra fria e antes dela, o “FALA MANSO, E MOSTRE O PORRETE”… E isto sempre dá ruim….
TARANTINO mescla referências culturais, como a ideia de LIBERDADE e AUTONOMIA DO INDIVÍDUO, criando um filme recheado de metalinguagens que vão de BRUCE LEE ao POP-ROCK, e às programações nas TVS e RÁDIOS daqueles tempos.
Fala do clima entre gente em decadência na INDÚSTRIA CINEMATOGRÁFICA; à CONTRACULTURA HIPPIE DESFIGURADA; da simples vagabundagem desaguando no líder de seita e assassino “diretor” de carnificina histórica, CHARLIE MANSON.
E nem preciso lembrar dos massacres gratuitos em escolas ou nas ruas, sempre motivados por “porra nenhuma”. A rebeldia sem causa transmutada em violência congênita!!!! É tudo bem americano! Eu prefiro a contenção e a cultura humanista da Europa…
QUENTIN TARANTINO tangencia ROMAN POLANSKY e sua “amoralidade pedófila”, e põe em cena a mulher de POLANSKY, a “STARLET”, SHARON TATE, assassinada pela seita de MANSON, em 1969. Essas coisas viraram referências mundiais dessa metamorfose doentia.
Tal geleia cultural desvela o B-SIDE americano e, no filme, explode na violência exagerada com seus extremos cômicos. Ou será que defender-se de alguém quase inoperante usando um “LANÇA-CHAMAS”, e depois tomando algumas com os vizinhos, pode ser considerado legítima defesa de alguém são?
No contexto americano, lembrando GRAHAN GREENE”, e demonstra TARANTINO”, é perfeitamente possível; quase normal; e foi recriado artisticamente de jeito magistral!
Do filme filtra-se uma TRILHA SONORA ORIGINAL. O bom e o ruim do lado a lado.
Estão também por lá, para rechear um pouco mais o pastel gorduroso, o DEEP PURPLE psicodélico do final dos anos 1960; um hit menor de NEIL DIAMOND; os ingleses CHAD AND JEREMY; JOE COCKER, ARETHA FRANKLIN, e os magníficos THE ASSOCIATION e SIMON & GARFUNKEL. Grandes músicas e artistas!!!!
E dá pra você escutar quase inteira “BUFFY SAINT MARIE”, uma boa FOLK SINGER, mas sub-JUDY COLLINS, cantando a belíssima “The Circle Game”, música de JONI MITCHELL…
E terminar desconfiando e com uma pulga de uns dois quilos atrás da orelha, que “AQUARELA”, versão de TOQUINHO e VINÍCIUS DE MORAES de música de um compositor francês, foi muito “inspirada” nela…
ASSISTAM ao filme; e OUÇAM A TRILHA!!!! Ah, e mantenham a sanidade!
POSTAGEM ORIGINAL 20/04/2023
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CIÊNCIAS SOCIAIS, USP 1975/1979: MEMÓRIAS DE AULAS DE ECONOMIA. A INFLUÊNCIA DO PROFESSOR PAUL SINGER

Quando estudei Ciências Sociais na FFLCH DA USP, entre 1974 e 1979, o professor PAUL SINGER era um mito, e mantinha influência sobre a faculdade, apesar de não lecionar mais por lá.
O curso, na época, previa dois semestres de aulas sobre ECONOMIA.
Foi um PERÍODO CAÓTICO, porque a INTENSÍSSIMA POLITIZAÇÃO e DOMÍNIO da ESQUERDA na Faculdade de CIÊNCIAS SOCIAIS, entrava em choque com o currículo básico de ECONOMIA.
Em resumo, havia um semestre de micro-economia e outro abordando a macro economia.
Os PROFESSORES que lecionaram a matéria eram TODOS da FEA – Faculdade de Economia e Administração. E, na época, uma escola de economia bastante conservadora, em que DELFIM NETO e os chamados “Delfim Boys” tinham poder e predominância.
Mas, os ALUNOS e a influência de ECONOMISTAS de ESQUERDA, como PAUL SINGER, queriam um curso mais voltado para a economia política, o que era e é razoável.
E o impasse acontecia. Eu me recordo que, no segundo semestre de 1975, quando a primeira parte do curso, macroeconomia, foi dada, os professores foram trocados umas três ou quatro vezes.
Na FEA NINGUÉM QUERIA DAR AULAS PARA NÓS, considerados rebeldes e contestadores demais. Mesmo assim, o semestre foi concluído.
No primeiro semestre de 1976, resolveu-se o impasse. E o curso FOCOU um pouco mais a HISTÓRIA ECONÔMICA e, principalmente, as ECONOMIAS CENTRALMENTE PLANEJADAS. Uma clara concessão à esquerda.
A PROFESSORA HELENA FANGANIELLO, uma das craques da FEA, manteve-se “no cargo” e, mesmo com um certo distanciamento de nós, alunos, conseguiu concluir o curso com aulas que traiam uma certa IRONIA, porque as ECONOMIAS SOVIÉTICA e da EUROPA ORIENTAL já davam sinais de esgotamento decorrente da ineficiência.
Eu sempre gostei de economia, ao contrário da maioria de meus colegas. Eu havia feito um curso de técnico de administração de empresas, em lugar do, à época, científico, ou clássico se quisesse optar.
Resumindo, acho que aproveitei o curso e continuei interessado no assunto.
Como até hoje!
POSTAGEM ORIGINAL: 2022

CLIMAX BLUES BAND – BLUES, PROGRESSIVE BLUES E R&B DE FESTA!

MEU PRIMEIRO CONTATO COM ELES, FOI EM 1978 DURANTE VISITA À “MODERN SOUND”, ESPETACULAR LOJA DE DISCOS QUE NÃO EXISTE MAIS. LÁ, COMPREI ALGUNS LONG PLAYS DOS CARAS. TODOS SENSACIONAIS!
FOI A PRIMEIRA EM QUE ESTIVE NO RIO DE JANEIRO. EU E MEU AMIGO PAULINHO CALDEIRA PEGAMOS A PONTE AÉREA, E FOMOS ASSISTIR AO FREE JAZZ FESTIVAL ( ACHO ), QUE ROLAVA NA CIDADE. A VIAGEM E OS CONCERTOS FORAM INESQUECÍVEIS ENCANTAMENTOS REGADOS A CHOPPS, CERVEJAS E FEIJOADA – DEVIDAMENTE “DERROTADOS” ANTES DE IRMOS PARA O MARACANÃZINHO! VOLTAMOS PARA SAMPA NO MESMO DIA – INFELIZMENTE!
A “CLIMAX BLUES BAND”, EXCELENTE BANDA QUASE DESCONHECIDA NO BRASIL; FAZ “BLUES-ROCK” MISTURADO COM “JAZZ”, “FUNK” &”R&B”. É QUASE UM “PROGRESSIVO PARA FESTAS”, ARRISCO DIZER. MAIS EXATAMENTE, É UM TIPO DE “FUSION DANÇANTE” E ALTO ASTRAL! O CENTRO DA “CLIMAX ” É O DUELO ENTRE O SAX DE “COLIN COOPER” E A GUITARRA DE “PETER HAYCOCK” .
É BOM LEMBRAR QUE “HAYCOCK”, ÓTIMO GUITARRISTA DE QUEM TENHO DISCO SOLO PERDIDO PELAÍ; TAMBÉM FOI O INCENTIVADOR E TOCOU EM GRANDE E FAMOSA TURNÊ “REVIVAL” CHAMADA “NIGHT OF THE GUITARS”, QUE GIROU O MUNDO, PASSANDO INCLUSIVE PELO BRASIL, EM 1989..
ALÉM DE PETER HAYCOCK, PARTICIPOU UMA PLETORA DE “GUITAR HEROES”, COMO “ALVIN LEE”, “ROBBIE KRIEGER”, “RANDY CALIFORNIA”, “LESLIE WEST”, “STEVE HOWE”, “JAN AKERMAN”, E A BANDA “WISHBONE ASH”. HOUVE OUTROS.
EU RECOMENDO BASTANTE OS DISCOS DA “CLIMAX BLUES BAND”. PRINCIPALMENTE “SENSE OF DIRECTION”, “PLAYS ON”, “STAMP ALBUM”, “RICH MAN”, QUE TANGENCIAM O ROCK PROGRESSIVO, MAS ARQUITETADO AO BLUES.
TALVEZ SEJA POSSÍVEL TER COMO REFERÊNCIA O QUE FEZ “JOHN MAYALL BLUESBREAKERS”, NO FINAL DA DÉCADA DE 1960, EM DISCOS COMO “BLUES FROM THE LAURELL CANION” “BARE WIRES” E “CRUZADE” – TODOS INFLUENCIADOS PELO ROCK PSICODÉLICO, E OUTRAS EXPERIMENTAÇÕES…
SERIA?
A TURMA DO ROCK NÃO PODE PERDER POR NADA “FM/ LIVE”, PAULEIRA BRAVA GRAVADA EM NOVA YORK, EM 1974, NO “ACADEMY OF MUSIC”; O TEMPLO DE ALTERNATIVOS BARRA PESADA. É BLUES ROCK PESADO DA MELHOR ESTIRPE, EM LINHA COM O “HUMBLE PIE”, O “BAD COMPANY”, E OUTROS TANTOS E TONTOS.
FOI TAMBÉM NO “ACADEMY” QUE “LOU REED” GRAVOU OS SENSACIONAIS “ROCK’ N’ ROLL ANIMAL” E A CONTINUAÇÃO “LOU REED LIVE”, EM 1973. O LADO HARD ROCK, ETC… DO REED.
PROCUREM CONHECER A “CLIMAX BLUES BAND” NO INÍCIO DA CARREIRA, NO CLÁSSICO “CLIMAX CHICAGO BLUES BAND”, DE 1969. ELES MILITARAM NO “BRITISH BLUES” E FORAM CONTEMPORÂNEOS DO “SAVOY BROWN” , “FLEETWOOD MAC” “JOHN MAYALL’ S BLUESBREAKERS, E O “TEN YEARS AFTER”. COLEGAS DE CENA MELHORES ERA IMPROVÁVEL…
DEPOIS DA FASE “BLUES ROCK PROGRESSIVO”, DESAGUARAM NUM “R&B DANÇÁVEL”E FUNKEADO”. E, COM O TEMPO, ADERIRAM À DELICIOSA “FUSION” ENTRE O “FUNK”, O “BLUES”, O “R&B”, E SOTAQUES “DISCO” E “JAZZ POP”. PROCUREM “GOLD PLATED”, LANÇADO EM 1976, ONDE ESTÁ O GRANDE SUCESSO, “COULD´N GET IT RIGHT”, DANÇÁVEL ATÉ À BEIRA DO TÚMULO!
A “CLIMAX” ALEGROU A DÉCADA DE 1970/1980. E FOI SEGUIDA POR GRUPOS TIPO “AVERAGE WHITE BAND”, E TANTOS MAIS. A “C.B.B” FAZ A GENTE DANÇAR A FESTA INTEIRA. E, MAIS AINDA, A SE DELICIAR DE OUVIR MÚSICA BEM FEITA E ALTO ASTRAL!
NÃO PERCAM.
POSTAGEM ORIGINAL: 30/04/2017
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ROCK PSICODÉLICO DE LOS ANGELES – “WHERE THE ACTION IS!”, NUGGETS 1965/ 1968, RHINO RECORDS – 4 CDS BOX SET

Outro BOX interessante, porém menos luxuoso do que o seu “irmão” sobre SAN FRANCISCO. É parte de relançamentos do “PRÉ-SAL DO MODERNO ROCK AMERICANO”, os “NÃO HITS” amados pela turma que ia e vai além do MAINSTREAM.
É um misto de “CATA-LATAS” e “ANTROPOLOGIA MUSICAL” de uma época inigualável. Traz BOOKLET com FOTOS e TEXTO, é claro! É rescaldo para quem procura completude, clima, e outras visões.
O álbum original é um VINIL DUPLO, lançado em 1972, pela gravadora ELEKTRA. Foi produzido LENNIE KAYE, jornalista que lançou comercialmente pela primeira vez pepitas resgatadas do fundão do ROCK. É um MUST colecionável, que deu início às escavações “eternas” que fazem colecionadores e interessados nos ALTERNATIVOS DO UNDERGROUND. KAYE depois se tornou guitarrista da banda da poetisa e “FREAK-ROCKER” PATTY SMITH.
LOS ANGELES foi “Meca” de invenções e ecletismos; era um polo de ação e não de reflexão “teórica”. A mídia local demorou para sacar o que estava acontecendo. Houve, “por supuesto”, muita incompreensão dos conservadores.
A famosa “SUNSET STRIP” concentrava, na segunda metade dos 1960, clubes e bares onde a nata do ROCK AMERICANO testou fórmulas; juntou forças, e pôs meninos, meninas e adjacências pra curtir e dançar.
Futuras grandes bandas tocaram no “CIRO´S”, no “WHISKEY A GO-GO”, no “THE TRIP”… Depois, a cena espalhou-se, e os frequentadores deram fama a “VENICE BEACH” , “LAURELL CANYON” e “SAN FERNANDO VALLEY”- santuários da contracultura, do novo ROCK, e da vida alternativa.
A cena musical de LOS ANGELES dividiu-se em estilos e tendências muito mais amplos e detalhados do que a de SAN FRANCISCO.
No BOX, dá para identificar a força do “GARAGE ROCK”, com THE SEEDS, MUSIC MACHINE, ELECTRIC PRUNES, STANDELLS, BOB FULLER FOUR, entre incontáveis.
LOS ANGELES foi onde o “FOLK ROCK PSICODÉLICO” emergiu mais forte com os BYRDS, o LOVE, BUFFALO SPRINGFIELD, TIM BUCKLEY, TURTLES, MAMAS AND THE PAPAS, THE ASSOCIATION… e mais “inúmeros poucos”!
Cometas e estrelas ascendentes do futuro “ROCK PROGRESSIVO’ e do “ART ROCK”, como SPIRIT, IRON BUTTERFLY, CAPTAIN BEEFHEART e FRANK ZAPPA, também foram lançados de lá.
Assim como híbridos de BLUES E PSICH, como os DOORS; a fase psicodélica dos MONKEES; e ensaios heterodoxos dos BEACH BOYS, DEL SHANNON e até JAN & DEAN. Todos fizeram discos em “L.A” ou inspirados por lá.
Esta caixa é controversa. Há uma banda batizada com nome absurdo e impróprio para tempos de amor: THE GUILLOTEENS! E, também, UMA DAS MAIS BRILHANTES MICRO-MÚSICAS de toda a galáxia: “JILL”, com GARY LEWIS & THE PLAYBOYS – a beleza e a delicadeza do SUNSHINE POP concentrada em menos de dois minutos!!!! Joia perfeita!
Porém, eu sinto falta de outro ícone da época e grande sucesso de público, os GRASS ROOTS, que poderiam participar com alguma coisa do primeiro ou segundo LP. E não entendo porque não incluíram um novaiorquino de sucesso internacional, e símbolo do POP dançável, e que fez lá carreira e discos históricos ao vivo: “JOHNNY RIVERS”! “LIVE AT WHISKEY A GO GO!, é um clássico!” -. Mas se quisessem, era só incluir “SUMMER RAIN” – FOLK PSICODÉLICO bem no clima daquela década.
Não devo perdoar a injustificável ausência de FRANK ZAPPA & THE MOTHERS OF INVENTION: o crossover entre a VANGUARDA e a ICONOCLASTIA juvenil.
Tudo contabilizado e ponderado, TIO SÉRGIO recomenda esse BOX para “ecléticos seletivos” e os completistas que andam por aqui. É para manter na coleção eternamente!
POSTAGEM ORIGINAL: 14/04/2020
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Carlos Alberto Santos Rocha e Adalberto Dos Santos Cavalcante

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“CONFESSIN` THE BLUES”: E PARTE DO MEU PRIMEIRO TEXTO NO FACEBOOK!

São 5 LONG PLAYS de DEZ POLEGADAS, típicos do final da década de 1940 e início dos 1950. Traz 44 gravações originais, remasterizadas, e totalmente representativas do melhor BLUES já feito.
Estão aqui os principais artistas: MUDDY WATERS, B.B.KING, BUDDY GUY, HOWLIN`WOLF, ELMORE JAMES, SLIM HARPO, CHUCK BERRY, JOHN LEE HOOKER, ROBERT JOHNSON, JIMMY REED, BO DIDDLEY, e outros mais.
A seleção foi feita pelos 4 “ROLLING STONES” remanescentes à época: MICK JAGGER, RON WOOD, KEITH RICHARDS e CHARLEY WATTS. WOOD, que também é artista plástico, pintou a capa. E há FOTOS dos artistas homenageados; um libreto, e belos textos nas páginas internas do projeto.
A produção GRÁFICA é de alta classe: O BOX reproduz aqueles álbuns antigos que armazenavam diversos discos de de 78 RPM. Os mais jovens talvez não tenham visto. Mas eram normais no passado. Resumindo, é uma edição especial limitada feita pela B.M.G. / UNIVERSAL, e lançada em 2013.
Para a turma que está entre os 50 e os 75 anos de idade, gostar de BLUES era decorrência quase “natural” se você curtisse ROCK. É o meu caso. Eu adorava, e ainda gosto das variações do BLUES nos anos 1960, 1970, 1980 and “BEYOND”. Continuo comprando em CDs e DVDs, já que os coleciono, e os escuto até hoje.
O BLUES que gostávamos na época, não era o TRADICIONAL de ROBERT JOHNSON, JOHN LEE HOOKER, MUDDY WATERS, entre vários. Mas, sim, o BLUES ELETRIFICADO, a B.B.KING; e o modernizado que os ingleses, desde o início dos anos 1960, descortinaram para o mundo.
Pois é, o BLUES é música americana de raiz, antes mais associada ao JAZZ; mas recuperada, reverenciada, e trazida para o mundo POP por bandas inglesas dos anos 1960.
Se não fossem os ROLLING STONES, YARDBIRDS, FLEETWOOD MAC, ANIMALS, MANFRED MANN e infinidade de artistas até hoje em atividade; ícones como B.B. KING e toda a tradição americana teriam tido menos força e, quem sabe, influência bem menor. Muitos já estavam no ostracismo quando o BLUES ressurgiu forte na GRÃ BRETANHA.
Diz a lenda, que os STONES cruzaram com MUDDY WATERS, que pintava as paredes do estúdio, quando foram gravar na CHESS RECORDS, em 1964! Eles ficaram horrorizados! Um destino trágico para quaisquer ídolos em qualquer tempo!
O BLUES espalhou-se graças principalmente a JOHN MAYALL, o mais importante incentivador da geração de ingleses que fazia BLUES.
MAYALL é artista com dezenas e dezenas de álbuns gravados; literalmente acompanhou ou performou com quase todos os grandes nomes do BLUES, tradicionais ou contemporâneos, ingleses ou americanos.
Foi ele quem consagrou ERIC CLAPTON, em 1965; já considerado o melhor guitarrista da Inglaterra, desde os tempos com os YARDBIRDS.
Para saber mais quantos talentos JOHN MAYALL revelou, é só procurar no Google. Ele é um dos que ostentam a comenda de Cavaleiro do Império Britânico; ao lado de PAUL McCARTNEY, ELTON JOHN, JEFF BECK, JIMMY PAGE, e incontáveis.
Mas, por que o BLUES explodiu na GRÃ BRETANHA?
Provavelmente porque os jovens queriam música vibrante como o ROCK AND ROLL da primeira fase – ELVIS PRESLEY, CHUCK BERRY, etc…, mas estilo já meio para o decadente e sem perspectiva. Até que houve a explosão dos BEATLES e da chamada BRITISH INVASION, por volta de 1962/1964.
Grosso modo, na época e como hoje, diversas tendências conviviam. Os BEATLES seriam mais conectados ao ROCK e os ROLLING STONES ao BLUES…
Os clubes e pubs ingleses em geral apresentavam bandas de JAZZ.
Porém, o JAZZ é como a BOSSA NOVA: música urbana para jovens mais sofisticados. A garotada em geral queria agito. Daí o SKIFLE; e depois o BLUES dominou a cena: música mais simples que bate direto nos sentimentos. Tem guitarras elétricas; e combina com paqueras, farras e cervejas…
Pouco a pouco os locais onde se ouvia JAZZ foram migrando para o BLUES, que se revestiu de ROCK; e o resto é o que temos até hoje. Claro, houve renascimento do BLUES também nos EUA – mas no início, e curiosamente, também por influência e exemplo dos ingleses.
O BLUES chegou forte ao BRASIL no começo dos anos 1990, e permanece mais discretamente. Nós temos uma linguagem de POP e ROCK genuinamente nacionais. Mas não há BLUES com identidade brasileira, apesar de bons artistas como NUNO MINDELIS e ANDRÉ CRISTOVAM – que chegou a tocar uns tempos com JOHN MAYALL.
Hoje, no mundo inteiro o BLUES continua firme. Procurem escutar SONNY LANDRETH, JOE BONAMASSA, SUSAN TEDESCHI & DEREK TRUCKS, por exemplo. Sem lembrar do “imorrível” ERIC CLAPTON e da memória do imortal B.B.KING.
Há muito, mas muito mais a ser dito, e infinitamente mais para ser escutado. Portanto, o meu orgulho e honra em apresentar aqui este sensacional BOX!
POSTAGEM ORIGINAL 11/04/2023 e 2013
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TRÊS DISCOS IMPERDÍVEIS: ROXY MUSIC, GRAND FUNK, LOUIS ARMSTRONG & ELLA FITZGERALD

SABEM O QUE ELES TÊM EM COMUM? NADA! E O TIO SÉRGIO GOSTA DOS TRÊS DISCOS POR MOTIVOS DIFERENTES.
“ROXY MUSIC” – “AVALON”, DISCO ESSENCIAL DA ELEGÂNCIA POP QUE DEFINIU OS ANOS 1980. QUEM JÁ VIVIA, EM 1982, NÃO PASSOU POR ELE SEM NOTAR. E É UM CLÁSSICO!
“GRAND FUNK RAILROAD”, “WE’RE AN AMERICAN BAND”, 1973, BANDA ESCULACHADA PELOS CRÍTICOS E AMADA PELA GAROTADA. ESTE É UM DE SEUS DISCOS MAIS BEM PRODUZIDO. “PERO”, SEM ALIVIAR A PORRADA. UM MITO!
“ELLA FITZGERALD E LOU ARMSTRONG”: “”ELLA E LOUIS”” . A ESTÉTICA VOCAL DOS NEGROS, SUAS IDISSINCRASIAS, DIVERSIDADE, INTERPRETAÇÃO ÚNICA, ELEVADAS AO ESTADO DA ARTE.
SE VOCÊ ENTENDE O PORQUÊ ADONIRAM BARBOSA FOI GÊNIO, COMPREENDE NO ATO O PORQUÊ DE “LOUIS ARMSTRONG” TAMBÉM TER SIDO.
OUVI OS TRÊS PARA ESQUECER A POLÍTICA. ..
POSTAGEM ORIGINAL 09/04/2018
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Rodrigo Marques Nogueira, Elvio Paiva Moreira e outras 12 pessoas

MÚSICA DE VANGUARDA PLENA DE CLIMAS E SUGESTÕES: UM ROTEIRO IMAGINÁRIO PARA A VIAGEM DO ROCK PROGRESSIVO À NEW AGE.

O papo aqui não é sobre exímios solistas, ou exibidores da libido em onanismo tátil exuberante.
Nenhum dos citados é JIMMY SMITH, RICK WAKEMAN, BRIAN AUGER, WALTER WANDERLEY, KEITH EMERSON ou ARI BORGER…
Está por aqui gente criativa que usa teclados para harmonizar, criar CLIMAS, escorar músicas feito vigas. São mais que operários. Atuam para o processo, talvez sejam mestres de obras…
Eu suponho que a primeira música “esvoaçante” que ouvi foi TELSTAR, gravada pelos ingleses TORNADOS, em 1962. Produção do lendário mago JOE MEEK. O trabalho de teclado emula o suposto som de um foguete/satélite se deslocando. Foi o primeiro ROCK ESPACIAL A QUE TIVE ACESSO. Procurem conhecer.
Pois bem; até que em 1967, o PINK FLOYD causou um “SUSTO POP” com série de SINGLES PSICODÉLICOS. O principal delesfoi “SEE EMILY PLAY”. Um passo adiante estabelecendo de vez o ROCK “LISÉRGICO” feito na INGLATERRA.
O clássico álbum do FLOYD, também de 1967, “THE PIPER AT THE GATES OF DAWN” , confirmou o ROCK EXPERIMENTAL do GRUPO – o primeiro a se apresentar com um SISTEMA DE SOM “QUADRAFÔNICO”, tornando os SHOWS experiência sensorial de amplo espectro.
Porém, o álbum inglês que trouxe a sensação de VIAGEM ESPACIAL CONTÍNUA, um deslocar-se embalado pelo som além do ambiente foi, em minha opinião, “A SAUCERFUL OF SECRETS”, lançado em 1968. É disco de transição do PINK FLOYD. Em 3 faixas ainda participa SYD BARRETT, seguindo mais ou menos a sonoridade dos SINGLES e do PRIMEIRO LONG PLAY.
E as outras quatro já são com a formação clássica: GILMOUR, WRIGHT, WATERS & MASON, tendendo para o estilo que os consagrou. Em texto da época, um crítico considerou o disco uma “SINFONIA EM CONSTRUÇÃO” – o que faz todo o sentido.
Se nos transportarmos para o célebre “ATOM HEART MOTHER”, o inigualável disco das vacas, lançado em 1970; a primeira parte pode ser considerada espécie de SINFONIA POP.
Em “A SAUCERFUL”… está presente a combinação de efeitos sonoros, LOOPS de fitas gravadas, uso de FEEDBACK, CÂMARAS DE ECO, e a parafernália instrumental criativa da banda… É, talvez, o primeiro disco trazendo música de “FICÇÃO CIENTÍFICA”, disse o referido crítico.
O PINK FLOYD usou recursos e técnicas dos experimentos do compositor alemão de MÚSICA ELETROACÚSTICA, “KARLHEINZ STOCKHAUSEN”; que também inspirou os BEATLES em detalhes do SGT PEPPERS (1967) – mas não a ponto de tornar a obra uma referência explícita da vanguarda eletrônica.
Interpretando de jeito peculiar o mestre alemão, o PINK FLOYD se propôs a criar e administrar um BLEND SONORO de maneira a conjugar os sons com direção e clareza. As músicas têm começo, meio e fim, como determina o manual da boa música POP. Mas, com evoluções baseadas na revolução descoberta pela música ELETROACÚSTICA.
Enquanto gravavam a faixa que dá nome ao disco, “A SAUCERFUL OF SECRETS”, comenta-se que uma voz saiu da cabine de controle no estúdio berrando: “Tá legal, pessoal. Depois dessa música vamos voltar ao trabalho sério…”
O FLOYD é marco na criação de músicas “CLIMÁTICAS”. Escutem “REMEMBER A DAY”. E principalmente, “SEE-SAW” – canção totalmente “expressionista”, em que se “vê” na MÚSICA o movimento de um balanço desses de parquinho infantil…
E pra conseguir este efeito, o tecladista RICK WRIGHT foi fundamental!
Espetacular!
MOODY BLUES – TO OUR CHILDREN, CHILDREN´S, CHILDREN`S – 1969 .
ALBUM CONCEITUAL, EXPERIMENTAL E TREMENDAMENTE POP!
O disco sucedeu “A THRESHOLD OF A DREAM”, 1969, outro LP de sucesso, como os anteriores “DAYS OF FUTURE PASSED”, 1967; e “IN SEARCH OF THE LOST CHORD”, 1968. Foi inspirado na viagem à lua feita no mesmo ano pelos astronautas americanos. É um show de tecnologia de estúdio, de qualidade na gravação; e de performance da banda como um todo.
Para a primeira faixa, “HIGHER AND HIGHER”, a NASA emprestou a gravação do SOM do lançamento do foguete. Mas o grupo achou de baixa qualidade para ser usada em um disco. E refizeram tudo em estúdio. Trabalho magnífico!
MIKE PINDER é o destaque conceitual do DISCO. Pilota o MELOTRON e o ÓRGÃO com milimétrica competência. Ele foi um magnífico construtor de CLIMAS SONOROS!
O som do ÓRGÃO nos passa a nítida sensação do arranque e a subida da nave; do aumento de velocidade; o alcance da altitude, e até atingir o silêncio no espaço. E PINDER trabalha e pontua com o MELOTRON o tempo todo as diversas etapas desse viagem.
No decorrer do LP, há momentos de música e sons pesados; outros leves, oníricos, românticos; e foram emulados até os supostos andar dos astronautas fora da nave, no espaço. Percebe-se a velocidade, as mudanças de ritmo, a calma, e a sensação de paz. Tudo bastante expressivo e sugestivo.
O tecladista cria uma narrativa sólida na base das músicas. E favorece a performance instrumental coletiva. E, principalmente, a diferenciada e aclamada harmonia e qualidade vocal da banda. Todos cantam bem: o guitarrista JUSTIN HAYWARD, o flautista RAY THOMAS, e o baixista JOHN LODGE. O baterista GREAME EDGE geralmente declama os textos e as poesias, frequentes nas composições do grupo.
TO OUR CHILDREN… é um disco experimental coeso, bonito e melodioso. Às vezes resvalando para o excesso de “açúcar”…
Eu duvido que os criadores da “NEW AGE MUSIC” não tenham curtido os MOODY BLUES à exaustão. Esse lado reforçando o melódico é uma das características do subgênero.
Mais bem expressando a tese, os MOODIES sempre souberam trabalhar letras. Às vezes ingênuas; e algumas românticas de rasa substância. Escapistas nem sempre, mas em linha com o público da banda: pessoas em busca de amor, esperança, paz, misticismo e visões alternativas light naqueles tempos conturbados. Ouvi-los é relaxante, divertido, e interessante. E culturalmente instigante.
Os MOODY BLUES foram muito famosos, fizeram diversos discos importantes, e se tornaram sucesso de vendas, crítica e público. Tiveram e ainda têm legiões de fãs mundo afora! Porém, foram desprezados pela turma da pesada; eram tidos como POP DEMAIS pela média da turma do ROCK. Hoje, mais bem compreendidos, estão em convivência pacífica com a História.
Eu os adoro!
E cada um com seu passivo.
O PINK FLOYD sempre foi uma banda CEREBRAL. Não eram construtores de emoções, como os MOODY BLUES. E essa contenção de sentimentos que não afloram, tornam audições prolongadas algo cansativas. Entorpecem.
Eu acho que ambos deveriam contratar as remixagens e remasterizações de seus discos junto a craques como STEVEN WILSON – um especialista em PROGRESSIVOS. Ou, quem sabe, algum japonês ou alemão que detenha conhecimento, tecnologia de ponta, e sensibilidade minuciosa para ouvir detalhes.
Bandas do nível deles PRECISAM testar perspectivas e visões alternativas da própria obra.
Seria o caso?
A SAGA DO TANGERINE DREAM: DE FÃS DO PINK FLOYD A INSPIRADORES DA “NEW AGE MUSIC”
Ouvir o TANGERINE DREAM em seu primeiro álbum, ELETRONIC MEDITATION, 1970, é retornar ao PINK FLOYD no lusco-fusco temporal entre as ideias de SYD BARRETT e as as experimentações em UMMAGUMMA, 1969. Parece que tentam descortinar caminhos.
É bom lembrar que a sombra de STOCKHAUSEN, JOHN CAGE, BERIO e XENAQUIS se deita sobre todo o ROCK PROGRESSIVO ALEMÃO; Ooopppsss o reverenciado KRAUTROCK!
Aliás, continua ora turvando, e ora descortinando todo o POP ELETRÔNICO CONTEMPORÂNEO, não é professora JOCY DE OLIVEIRA?
Um dos visuais mais sugestivos do UNIVERSO DO ROCK são as fotos da parafernália de teclados, gravadores e etc… do TANGERINE DREAM. E não apenas em estúdio. As imagens principalmente de palcos, SHOWS, nos levam para uma expectativa de algo inusitado que virá…
Estamos todos dentro de um laboratório, quem sabe uma nave espacial. Se a vida não está boa aqui na terra, talvez uma turnê para fora do imediato alivie ansiedades? Uma viagem com o cérebro, à partir do teatro exposto no palco, e através da música?
Esta circunstância e constatação também pode ser aplicada ao PINK FLOYD. Entre 1967/1970, voar já era era preciso ( em dupla sentido…) e possível.
Mas, revela um possível problema:
Esta tentativa de fuga da realidade talvez seja outro EFEITO COLATERAL NÃO PREVISTO, mesmo sendo consequência da música palpável, concreta, intelectualmente urdida e fria criada pela turma de STOCKHOUSEN & CIA?
Se isto for verdade, quando essas inovações deram vida ao KRAUTROCK, no início da década de 1970, espanaram feito parafuso gasto em direção ao imprevisível! O que foi pensado para ser concreto e tátil, tornou-se etéreo. E hoje é quase virtual!
Seria? (Cuidado com as palavras, TIO SÉRGIO…)
KLAUS SCHULZE, CHRISTOPHER FRANK, EDGAR FROESE e PETER BAUMAN, são músicos chegados e preparados para tecnologia eletrônica. E a ponto de FROESE – que se dizia inspirado artisticamente por HENDRIX, STOCKHAUSEN e XENAQUIS – ter construído vários instrumentos específicos para a banda. E sua técnica de LOOPS e MIXAGENS DE TAPES, é considerada base para os modernos SEQUENCIADORES.
Literalmente, os quatro formaram a base e manobraram a nave TANGERINE DREAM, garantindo que voasse, criasse os CLIMAS e perspectivas musicais inesperadas, carreira afora; muitas vezes intermitentemente, e com muita troca de tripulação.
O único que permaneceu a até morrer, foi EDGAR FROESE; que orientou o substituto para que o grupo permanecesse… Mas, o fato é que de discípulos e pesquisadores de música dura e concreta, tornaram-se um dos pioneiros da NEW AGE MUSIC – que busca a essência do etéreo, da procura pelo místico, por certa religiosidade laica e por um bem estar pessoal que elide – mesmo por uns momentos – a crítica e a realidade.
Mas, seria isso mesmo?
E se for, eu tenho nada, nadinha contra! PETER BAUMAN não por acaso fundou uma das primeiras gravadoras especializada no gênero!
Do trabalho dessa gente toda, chegamos aos fundamentos instrumentais do HIP-HOP, aos D.J.s, e às RAVES!
E na outra ponta, encontramos ENYA, LOREENA MCKENNITT e incontáveis melífluos refrescantes…, possíveis frutos de ensinamentos que passaram certamente pelos MOODY BLUES, e o RENAISSANCE ( OOOPSS, é claro! ). E facilitaram, inclusive, o surgimento da moderna WORLD MUSIC – “DEAD CAN DANCE”, e a nossa brasileira pouca lembrada e CULT “MAE EAST”, para ficar na superfície…
Se for possível resumir, PINK FLOYD, MOODY BLUES e TANGERINE DREAM, fizeram um “MÈNAGE A TROIS”, que deu “BOM”!
Muito bom!
TEXTO ORIGINAL 07/04/2023
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PINK FLOYD – “SEE EMILY PLAY”- 1967 : PALHAÇADA E VINGANÇA!!!

Foi o SINGLE de maior sucesso na primeira fase da banda, ainda com SYD BARRET na guitarra. Foi lançado em 1967; e também no Brasil pela FERMATA. Fato relevante na luta contra bizarrice recorrente, porque fora do BEAT convencional, ou da simples breguice.
A edição brasileira é colecionável no MUNDO INTEIRO. É raríssima, preciosa e muito difícil de ser encontrada URBE ET ORBI… Este SINGLE é obra de arte reconhecida. Reafirma de certa forma a PSICODELIA INGLESA, que já se esboçava. É magia e tecnologia pura, para aqueles tempos!
Há o uso de câmaras de eco e outras conhecimentos de estúdio; em parte também utilizados em “TELSTAR”, produzido pelo “mago” JOE MEEK, e gravada por THE TORNADOS, em 1962 . E pelo americano por DEL SHANNON, em THE BIG HURT, 1966.
Talvez um ano depois do FLOYD, o SMALL FACES lançou outro SINGLE matador: “ITCHCOO PARK”, juntando o vocal R&B de STEVE MARRIOTT, com o experimentalismo PSICODÉLICO nascente. É nitidamente inspirado no que fez o PINK FLOYD. São quatro clássicos com ARTIMANHAS de ESTÚDIO que fizeram essas músicas “VOAR”!
Eu tive acesso irrestrito ao COMPACTO do PINK FLOYD a vida inteira. Quem o comprou foi meu eterno amigo SILVIO DEAN.
Na época, colecionávamos os discos juntos, numa espécie de COOPERATIVA que implantamos desde o momento que nos conhecemos, em junho de 1967, no ginásio – hoje ENSINO FUNDAMENTAL 2, eu acho. A falta de grana pode ser poderosa força motriz…
Hoje, eu, ele e o filho dele, FÁBIO, continuamos “parças” e amigos discutindo, convivendo, trocando e emprestando discos uns para os outros. O SILVIO e o FÁBIO são totalmente responsáveis pela continuidade de minha paixão por música. Ambos também colecionam apaixonadamente!!!
“SEE EMILY PLAY” e outros SINGLES do PINK FLOYD são fundamentais. Estão neste CD, que faz parte do excepcional e belo BOX, “SHINE ON”, lançado em 1992, coligindo a produção da banda nos primeiros 25 anos de existência, entre 1967 e 1992!
Um espetáculo a parte!
Vamos à MOLECAGEM e a SACANAGEM:
EM 1968, EM UM PROGRAMA DE RÁDIO EM SÃO PAULO, O LOCUTOR GARANTIA TER NA DISCOTECA QUAISQUER DISCOS QUE OS OUVINTES PEDISSEM.
ELES PROCURAVAM E TOCAVAM. NO FINAL, SORTEAVAM UM DISCO QUALQUER ENTRE OS PARTICIPANTES.
MEIO DE SACANAGEM LIGUEI PRÁ LÁ. O PROGRAMA ESTAVA NO AR, É CLARO.
ATENDERAM;
– LOCUTOR: QUAL É O SEU NOME?
– EU: SÉRGIO;
– LOCUTOR: E O QUE VOCÊ QUER OUVIR?
– EU DE GOZAÇÃO: “SEE EMILY PLAY”, COM “THE PINK FLOYD”…
– LOCUTOR: VAMOS PROCURAR; MAS ENQUANTO ISSO, O PEDIDO DE NOSSA OUVINTE “ESPERMAURA”: “WANDERLEY CARDOSO”…
– LOCUTOR: AGORA, VAMOS OUVIR WALDICK SORIANO, PEDIDO DA FIEL OUVINTE “ROSINHA”…
– LOCUTOR: ESTAMOS PROCURANDO A MÚSICA PARA O OUVINTE SÉRGIO. ENQUANTO ISSO, ROBERTO CARLOS PARA A “CACILDA MARTA”…
– LOCUTOR: AGORA, ALTEMAR DUTRA PARA NOSSA QUERIDA OUVINTE DE SEMPRE, “LEOFRÍGIDA”…
O PROGRAMA FOI PASSANDO E, NO FINAL, O LOCUTOR LEMBROU:
-“NÃO ENCONTRAMOS A MÚSICA PARA O OUVINTE SÉRGIO!
POR ISSO, ELE VAI GANHAR UM PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO. PODE PASSAR E RETIRAR AQUI NA RÁDIO, DEPOIS DE QUINTA FEIRA.”
– EU MORRI DE RIR; E MEU TIO JULIANO FOI LÁ BUSCAR O MEU “CONSOLO”.
ERA UM COMPACTO SIMPLES: “PINGO NO SAMBA”, COM LUCY LESSA! A “,MINHA CARA E GOSTO” ! AHH, o@Ayrton Mugnaini Jr. conhece o disco e o autor!!!!
VINGANÇA AO DENTE!
POSTEGEM ORIGINAL 06/04/2023
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