Há um lado da cultura brasileira que costumava nos orgulhar: a MÚSICA POPULAR.
Mas, seguindo a nossa tendência histórica ao desequilíbrio, nunca os extremos de qualidade estiveram tão pronunciados!
É curioso, mas ao contrário do que aparenta, a M.P. B vive, nos últimos trinta anos, BOOM CRIATIVO próximo ao espetacular!
E, tudo junto e ao mesmo tempo agora, está nítida a queda geral de qualidade no segmento da MÚSICA POPULAR, digamos boa, porém menos sofisticada.
O que levou a uma concentração nos dois polos:
o MAIS SOFISTICADO que está bombando em qualidade. E a MÚSICA MAIS POPULAR, que vem se transformando em POPULARESCA, e descendo a níveis artísticos e técnicos antes inimagináveis!
O meio de campo praticamente desapareceu. E sem meio campo os times não jogam!
Artistas populares, como o ROBERTO CARLOS, entre tantos vários, migraram em letras para o POPULARESCO, e estacionaram no óbvio em termos puramente musicais. E mesmo a produção técnica continuando excelente – o que disfarça a falta de conteúdo, ou puro mau gosto!
Seria um desperdício de potencial, ou foram os talento que se esgotaram sem que tenha havido uma renovação?
O mais provável, talvez, é que as circunstâncias do mercado em que eles sempre atuaram tenha exigido esse movimento. Para baixo…É justamente nessa faixa do meio que as coisas foram “down the river” – e não é de hoje.
Foi nela que se instalou o novo POP BRASILEIRO: o SERTANEJO, O AXÉ, e o novo R&B/RAP à brasileira, de gente como ANITTA, e esse monte de RAPPERS e MCs. Tudo grandioso e bem produzido, mas ralo. Entre o meio tolo e o puramente vulgar. O segredo de todos eles é se concentrarem no ritmo e no dançante. E no PRIMÁRIO evocando o PRIMATA que existe em todos nós.
Dançar é preciso. Mas já dançamos ouvindo coisa melhor…
Existe o muito pior. O que dizer uma banda chamada “PICIRICO”, executando – literalmente – um troço chamado LEPO-LEPO?
E esta apropriação brasileira da parte péssima da música negra americana?
O RAP e suas letras ofensivas, mal escritas, mal pensadas, de conteúdo difuso refletindo má educação e ignorância, e não protesto, como alguns bem-pensantes acreditam.
Há o FUNK PANCADÃO e sua monotonia rítmica, ausência de harmonia e melodia mesclados por samplers vulgares? Sem falar do que pensam sobre, e de que jeito agem com as mulheres!
Nos anos 1960, os mais velhos se horrorizavam com as letras dos BEATLES, STONES e do JIM MORRISON. Tentem comparar com as de hoje…
Porém, há o lado oposto.
Nossa MÚSICA INSTRUMENTAL É DE ALTÍSSIMA CLASSE executada por músicos nunca menos que brilhantes. Procurem por “VENTO EM MADEIRA”, “PAU BRASIL “, NELSON AYRES, MAURO SENIZE, ANDRÉ MEHMARI, e CDs da gravadora Biscoito Fino, em geral. E por alguns novos postados na foto.
É interessante, mas com a queda das grandes gravadoras expandiu-se, no Brasil – e pelo mundo -, um série de pequenas e médias, que contrataram artistas como a GAL, a BETHÂNIA e o CHICO, resumindo em alguns. Eles continuam produzindo com qualidade “as ever”…
E há os consagrados menos famosos como JOYCE, OLIVIA BIYNGTON, VANIA BASTOS – a melhor cantora do Brasil – TONINHO HORTA, EGBERTO GISMONTI. E os novos, cantores e cantoras de diversos estilos como FABIANA COZZA, CÉU, TULIPA RUIZ, e outras tanta!.
E, claro, os excelentes de sempre como MARISA MONTE, CAETANO, ZECA PAGODINHO…
Procurem conhecer a obra monumental e algo fora do esquadro de MARCOS VALLE – respeitadíssimo lá fora!
Achem o disco feito com uma das melhores cantoras de JAZZ DO MOMENTO, STACEY KENT. Um primor!
Enfim, são impressões de um coroa meio elitista, mas que não tem preconceitos nessa área. Tenham certeza, ainda fazemos direito e gostoso – oopsss!
Mas, está na hora de ajudarmos a descontaminar esse ambiente. É a opinião de um CIDADÃO dessa PATÓPOLIS TROPICAL, cansado de pagar o pato, mesmo sabendo que são os PATOS-CIDADÃOS que sempre quitam o preço da bagaça.
Boa música, porque ela existe de montão. E “Quá, Quá” pra vocês! Postagem original: 04/03/2023
QUEM PROCURA MILES DAVIS ENCONTRA EXCESSOS. É DOS POUCOS ARTISTAS QUE NÃO ENJOAM, MESMO QUANDO ALÉM DA CONTA.
AQUI ESTÃO ALGUNS ÁLBUNS LUXUOSOS E, CLARO, COLECIONÁVEIS ATÉ A MEDULA!
1) HÁ “MILES E COLTRANE COMPLETOS”, 1955-1961. DIZER O QUÊ? ENTRE AS PRECIOSIDADES ESTÁ “KIND OF BLUE”,1959, VOCÊS CONHECEM?
HÁ, TAMBÉM “MILESTONES”, 1958; “SOMEDAY MY PRICE WILL COME”, 1961; “ROUND ABOUT MIDNIGHT”, 1962, E ALGUM ETC…
2) “OS QUINTETO COMPLETOS” 1965-1968; SÓ GENTE “PEQUENA”: WAYNE SHORTER, HERBIE HANCONCK, RON CARTER & TONY WILLIANS.
DENTRO ESTÃO “ESP”; “MILES SMILES”; “SORCERER”; “NEFERTITI”; “MILES IN THE SKY”; “FILLES DE KILIMANJARO”, E RESPECTIVAS SESSÕES. É FARTURA DE RODÍZIO DE CHURRASCO!
3)TUDO DE “MILES E GIL EVANS” 1958-1968. “MILES AHEAD”; “PORGY AND BESS”, SKETCHES OF SPAIN”; “QUIET NIGHTS”, O FANTÁSTICO “MILES + 19”, E ENORME SESSÕES, E TUDO, TUDO MAIS!
4) “IN A SILENT WAYS” INTEGRAL 1968-69, SÃO VÁRIOS DISCOS ALÉM DO TÍTULO;
5) E FINALMENTE “BITCHES BREW”, 1969, EDIÇÃO COMPLETA DE 40 ANOS. O MESMO ESQUEMA, TUDO O QUE FOI PENSADO, FEITO, GRAVADO, E COLETADO.
AS CAPAS SÃO O FINO: BORDAS EM METAL, COM A GRAVAÇÃO DOS NOMES, E OS LIVRETOS SOBERBOS.
CERTAMENTE FALTAM ALGUNS. INFELIZMENTE!
TUDO O QUÊ MILES DAVIS FEZ FOI EXCESSIVO E SUPERLATIVO. ERA UM WORKAHOLIC, UM AMERICANO TRABALHADOR AO EXTREMO!
FICOU MILIONÁRIO, E MERECEU CADA CENTAVO, CADA GOLE, OU CAFUNGADA.
CRIOU ESTILOS, ÉPOCAS, MODAS. E INFLUENCIOU EM TUDO QUE FOI FEITO EM MÚSICA, ENTRE 1948, E SUA MORTE – E BEYOND!
MILES EXIGE POSTAGEM, ATENÇÃO, ANÁLISE, E CRÍTICA DETALHADA PARA CADA GRAVAÇÃO QUE FEZ, OU DISCO QUE LANÇOU OU VENHA A SER LANÇADO!
ELE É UM GÊNIO IMORTAL, E POR ENQUANTO INIGUALADO.
SERIA INIGUALÁVEL?
EU VIVO CAÇANDO DISCOS DO PRETINHO DESDE SEMPRE, E FOREVEER AND EVER!
FAÇAM AS SUAS APOSTAS! Edição original: 04/03/2018
Eu criei e mantenho uma espécie de ALFARRÁBIO MENTAL, acúmulo mal filtrado de leituras e percepções de passado remoto.
Nascido na década de 1950, mas criatura dos 1960 e 1970, onde formei vocabulário de vida que, independentemente de tudo, ainda resguarda convicções, prazeres, seduções e parte da minha visão de mundo.
Filosofices à parte, hoje recordei frase de crítico em publicação importante, talvez a MELODY MAKER, quando “WHO´S NEXT” foi lançado, em 1971.
O cara escreveu mais ou menos o seguinte: “Se você não for um jovem intoxicado por barulhos e “otras cositas mas”, terá de admitir que o “WHO” evoluiu”!
Claro, eu fui um dos intoxicados por barulhos brancos, ROCKS pesados digeridos feito pedra, mesmo que a única “cosita a mas” que me intoxicava – e continua intoxicando – é a cerveja!
Mas o tempo, senhor absoluto da dissenção, no caso fez-me ver que, realmente, “THE WHO” evoluíra.
Gosto do WHO, como a maioria dos rockers da minha geração, e das posteriores também. Mas, os prefiro na fase antes de TOMMY explodir, em 1969. Vou expor minha visão sobre a música deles no período.
Acho os SINGLES da banda excelentes, talvez os mais violentos, joviais e pesados feitos de meados para o final dos 1960. Há diversos excepcionais como “I CAN SEE FOR MILES”, “PICTURES OF LILY”, “MY GENERATION” e “MAGIC BUS”, para escolher uns poucos!
O primeiro álbum, “THE WHO SINGS MY GENERATION”, 1965, é garageiro, visceral e imprescindível. Colisão efervescente de R&B e BEAT ROCK. Na sequência, “A QUICK ONE”, 1966; “THE WHO SELL OUT”, 1967; e “MAGIC BUS”, 1968, formam a TRIO PSICODÉLICO tipicamente britânico, e são a cara deles, também: ROCK PESADO e bem feito.
Deixo prá lá “TOMMY”, “QUADROPHENIA”, e os discos posteriores.
Resumindo o resumo, e considerando as performances ao vivo, é uma banda de ROCK espetacular!
É interessante, o álbum resultante em “WHO´S NEXT” é o que sobrou de uma ideia maluca e megalomaníaca de PETE TOWNSHEND.
Quiseram ir além do que haviam conseguido com TOMMY, que o tempo demonstrou ser disco profético: afinal, “putativos cegos, surdos e mudos” manipulando “computadores’ em videogames, jogos virtuais; e isolados em si mesmos é o que se vê mundo afora, em qualquer lugar ou cidade. Claro, é uma constatação limite. Operar e interagir com a modernidade tecnológica é essencial, e isso atrai os mais jovens…
PETE queria em “LIFEHOUSE” nada menos do que fazer a obra definidora, e pretensamente definitiva que revitalizasse o ROCK como utopia funcional, usando a energia das ruas, e desvelando uma certa singeleza bem intencionada nas pessoas…Algo um pouco diferente da utopia HIPPIE sessentista.
Ele pensou o ROCK como real veículo de consciência; mais reflexivo, e mais livre de imposições comerciais, integrando o público e todo o ambiente dos concertos à performance da BANDA. E trabalhou para criar algo que envolvesse eletrônica, computadores e teatro. Ou seja, uma performance total, que elevaria o ROCK a outro patamar artístico e existencial. Só isso, modestamente…
Talvez ele não percebesse que tudo que é totalizante pode tender ao totalitário… Mas, aí é outro papo.
Para isso, escreveu material para um álbum conceitual duplo. Queria fazer um filme, também…E fizeram algumas apresentações em teatro… Mas, foi tudo pela escadaria do tempo abaixo, porque impossível e cheio de entraves técnicos e financeiros.
O que restou das músicas já gravadas foram em parte utilizadas na estruturação de “WHO’S NEXT”. E muita coisa foi perdida.
A visão geral revela um disco de HARD ROCK PROGRESSIVO. Há gotas remanescentes do R&B original, de algum FOLK, e tudo embebidos no ROCK PSICODÉLICO pelo qual passaram, mas formando na perspectiva como a de seus concorrentes daquele momento.
Parafraseando CHRISSIE HINDE, que veio bem depois: “Don’t Get me Wrong”. Havia todo um clima e sonoridade que passou pelo JETHRO TULL, HUMBLE PIE, URIAH HEEP, TRAPEZE, o próprio LED ZEPPELIN. O que fez “THE WHO” foi sintetizar esse climão no estilo e do jeito deles. A produção foi da banda, com a participação de todos, e de GLYN JOHNS.
“WHO´S NEXT” é o primeiro disco da história onde os computadores, que foram programados sequencialmente por PETE TOWNSHEND, participam como integrantes estruturais da obra!!!! Depois disso, inundaram o POP e a música em geral para todo o sempre!
Os arranjos estão mais bem elaborados. Além dos sintetizadores, há violino, e o piano com NICK HOPKINS, AL KOOPER, e outros. A pegada de KEITH MOON na bateria está mais disciplinada. E o violão e a guitarra de TOWNSHEND muito bem tocados. Em algumas faixas percebe-se sonoridade à JOE WALSH que, aliás, o havia presenteado com uma cópia da guitarra dele.
O baixo muito eficiente de JOHN ENTWISTLE brilha nesse disco; E a interpretação de ROGER DALTREY continuou incendiária. E talvez ele, PETE TOWNSHEND, e ENTWISTLE nunca tenham cantado tão bem!
Tudo considerado é nitidamente THE WHO, mas cultivando cepas nobres na videira tradicional…Então, agora TIO SÉRGIO acha, sim, que é o melhor álbum feito por eles!
Seria?
Dias atrás, vi este PICTURE DISC recente do “WHO´S NEXT”, lançado em 2023. É muito bonito e eles prometeram VINIL de qualidade com 180gramas. Custou perto de $14,00 BIDENS, uns R$ 75,00 MANDACARUS pátrios, entregues na minha toca.
Postei duas versões em CD; uma japonesa, mais equilibrada, em SHMCD, mas sem quaisquer bônus. A outra, é americana e um tanto mal remasterizada, mas que traz material adicional da época.
Temos aqui um verdadeiro clássico, e ainda bastante atual.
Não deixem de ter!
THE WHO – WHOS´NEXT – EM TRÊS VERSÕES: VINIL e CDS
Eu criei e mantenho uma espécie de ALFARRÁBIO MENTAL, acúmulo mal filtrado de leituras e percepções de passado remoto.
Nascido na década de 1950, mas criatura dos 1960 e 1970, onde formei vocabulário de vida que, independentemente de tudo, ainda resguarda convicções, prazeres, seduções e parte da minha visão de mundo.
Filosofices à parte, hoje recordei frase de crítico em publicação importante, talvez a MELODY MAKER, quando “WHO´S NEXT” foi lançado, em 1971.
O cara escreveu mais ou menos o seguinte: “Se você não for um jovem intoxicado por barulhos e “otras cositas mas”, terá de admitir que o “WHO” evoluiu”!
Claro, eu fui um dos intoxicados por barulhos brancos, ROCKS pesados digeridos feito pedra, mesmo que a única “cosita a mas” que me intoxicava – e continua intoxicando – é a cerveja!
Mas o tempo, senhor absoluto da dissenção, no caso fez-me ver que, realmente, “THE WHO” evoluíra.
Gosto do WHO, como a maioria dos rockers da minha geração, e das posteriores também. Mas, os prefiro na fase antes de TOMMY explodir, em 1969. Vou expor minha visão sobre a música deles no período.
Acho os SINGLES da banda excelentes, talvez os mais violentos, joviais e pesados feitos de meados para o final dos 1960. Há diversos excepcionais como “I CAN SEE FOR MILES”, “PICTURES OF LILY”, “MY GENERATION” e “MAGIC BUS”, para escolher uns poucos!
O primeiro álbum, “THE WHO SINGS MY GENERATION”, 1965, é garageiro, visceral e imprescindível. Colisão efervescente de R&B e BEAT ROCK. Na sequência, “A QUICK ONE”, 1966; “THE WHO SELL OUT”, 1967; e “MAGIC BUS”, 1968, formam a TRIO PSICODÉLICO tipicamente britânico, e são a cara deles, também: ROCK PESADO e bem feito.
Deixo prá lá “TOMMY”, “QUADROPHENIA”, e os discos posteriores.
Resumindo o resumo, e considerando as performances ao vivo, é uma banda de ROCK espetacular!
É interessante, o álbum resultante em “WHO´S NEXT” é o que sobrou de uma ideia maluca e megalomaníaca de PETE TOWNSHEND.
Quiseram ir além do que haviam conseguido com TOMMY, que o tempo demonstrou ser disco profético: afinal, “putativos cegos, surdos e mudos” manipulando “computadores’ em videogames, jogos virtuais; e isolados em si mesmos é o que se vê mundo afora, em qualquer lugar ou cidade. Claro, é uma constatação limite. Operar e interagir com a modernidade tecnológica é essencial, e isso atrai os mais jovens…
PETE queria em “LIFEHOUSE” nada menos do que fazer a obra definidora, e pretensamente definitiva que revitalizasse o ROCK como utopia funcional, usando a energia das ruas, e desvelando uma certa singeleza bem intencionada nas pessoas…Algo um pouco diferente da utopia HIPPIE sessentista.
Ele pensou o ROCK como real veículo de consciência; mais reflexivo, e mais livre de imposições comerciais, integrando o público e todo o ambiente dos concertos à performance da BANDA. E trabalhou para criar algo que envolvesse eletrônica, computadores e teatro. Ou seja, uma performance total, que elevaria o ROCK a outro patamar artístico e existencial. Só isso, modestamente…
Talvez ele não percebesse que tudo que é totalizante pode tender ao totalitário… Mas, aí é outro papo.
Para isso, escreveu material para um álbum conceitual duplo. Queria fazer um filme, também…E fizeram algumas apresentações em teatro… Mas, foi tudo pela escadaria do tempo abaixo, porque impossível e cheio de entraves técnicos e financeiros.
O que restou das músicas já gravadas foram em parte utilizadas na estruturação de “WHO’S NEXT”. E muita coisa foi perdida.
A visão geral revela um disco de HARD ROCK PROGRESSIVO. Há gotas remanescentes do R&B original, de algum FOLK, e tudo embebidos no ROCK PSICODÉLICO pelo qual passaram, mas formando na perspectiva como a de seus concorrentes daquele momento.
Parafraseando CHRISSIE HINDE, que veio bem depois: “Don’t Get me Wrong”. Havia todo um clima e sonoridade que passou pelo JETHRO TULL, HUMBLE PIE, URIAH HEEP, TRAPEZE, o próprio LED ZEPPELIN. O que fez “THE WHO” foi sintetizar esse climão no estilo e do jeito deles. A produção foi da banda, com a participação de todos, e de GLYN JOHNS.
“WHO´S NEXT” é o primeiro disco da história onde os computadores, que foram programados sequencialmente por PETE TOWNSHEND, participam como integrantes estruturais da obra!!!! Depois disso, inundaram o POP e a música em geral para todo o sempre!
Os arranjos estão mais bem elaborados. Além dos sintetizadores, há violino, e o piano com NICK HOPKINS, AL KOOPER, e outros. A pegada de KEITH MOON na bateria está mais disciplinada. E o violão e a guitarra de TOWNSHEND muito bem tocados. Em algumas faixas percebe-se sonoridade à JOE WALSH que, aliás, o havia presenteado com uma cópia da guitarra dele.
O baixo muito eficiente de JOHN ENTWISTLE brilha nesse disco; E a interpretação de ROGER DALTREY continuou incendiária. E talvez ele, PETE TOWNSHEND, e ENTWISTLE nunca tenham cantado tão bem!
Tudo considerado é nitidamente THE WHO, mas cultivando cepas nobres na videira tradicional…Então, agora TIO SÉRGIO acha, sim, que é o melhor álbum feito por eles!
Seria?
Dias atrás, vi este PICTURE DISC recente do “WHO´S NEXT”, lançado em 2023. É muito bonito e eles prometeram VINIL de qualidade com 180gramas. Custou perto de $14,00 BIDENS, uns R$ 75,00 MANDACARUS pátrios, entregues na minha toca.
Postei duas versões em CD; uma japonesa, mais equilibrada, em SHMCD, mas sem quaisquer bônus. A outra, é americana e um tanto mal remasterizada, mas que traz material adicional da época.
Temos aqui um verdadeiro clássico, e ainda bastante atual.
São contemporâneos, estiveram no auge mais ou menos ao mesmo tempo. E não poderiam ser tão diferentes um do outro!
EARL PALMER, nasceu em 1924 e morreu em 2008. Foi o primeiro músico de estúdio a entrar para o ROCK AND ROLL HALL OF FAME, em 2000. Um honra enorme!
A sua noção de ritmo, drive, tempo e andamento eram magistrais! Usava um kit de bateria de poucos componentes, e os dominava à perfeição. Fez parte do histórico WRECKING CREW, grupo meio mutante de músicos de estúdio que dominou o cenário POP da costa leste americana, à partir do início dos anos 1960…
Por lá passaram LEON RUSSELL, GLEN CAMPBELL, NEIL DIAMOND, CAROL KAYE e outros que sabiam tocar de verdade.
Há um vídeo de PALMER com a grande baixista CAROL KEYE, os dois ensaiando no estúdio e combinando como fazer atuar em uma gravação. É uma aula de “DRUM AND BASS”… ooopppsss, estou antecipando o futuro em algum tempo… Ali se percebe a leveza da batida de EARL combinada com o “PUNCH” de CAROL!!!!
Os dois tocaram com com Deus, Shiva, e todo mundo . Ela fez mais de dez mil sessões de gravação, e ele certamente outro tanto.
Vou citar alguns poucos entre os artistas que PALMER acompanhou, sem mencionar a longa lista de CLÁSSICOS e HITS em que participou: FRANK SINATRA, DUANE EDDY, BOB VEE, JULIE LONDON, RICK NELSON, THE BYRDS, MAMA´S AND THE PAPAS, BEACH BOYS, NEIL YOUNG, TOM WAITS, B.B.KING, SUPREMES, IKE AND TINA TURNER, ELVIS COSTELLO, DR. JOHN, RAY CHARLES…
Ele também está em versão de LOU RAWLS fazendo “GAROTA DE IPANEMA”. E em “YOU´VE LOST THAT LOVIN FEELING”, dos RIGHTEOUS BROTHERS; e “SUMMERTIME BLUES”, de EDDIE COCHRAN, clássicos supremos. Além de incontáveis gravações com a turma do JAZZ!!!
Para os BYRDMANÍACOS, há um REMIX fantástico de GENE CLARK na lindíssima “THE SAME ONE”, acompanhado por PALMER, LEON RUSSELL, e GLEN CAMPBELL. É imperdível!
EARL PALMER era a precisão incorporada, estilizada e aplicada. O baterista craque supremo nas gravações de POP, ROCK e R&B de sua época.
É possível argumentar que BILLY HIGGINS tenha sido o “inverso”, artisticamente falando, de EARL PALMER. Ele foi um dos criadores do idioma da BATERIA no JAZZ EXPERIMENTAL, NO FREE e na AVANT GARDE.
O grande clássico de ORNETTE COLEMAN e outros, “FREE JAZZ”, de 1961, tem HIGGINS em uma das baterias. Ele tocava com muito SWING, batida precisa, e capacidade de interagir de maneira complexa com os solistas.
Músico sofisticado, ele deu aulas na UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. Participou em mais de 700 sessões de gravação, e foi um dos mais ocupado músico de seu tempo. Sabia acompanhou do HARD BOP ao POST BOP.
O portfólio gravado em que BILLY participou inclui DONALD BYRD, DEXTER GORDON, GRANT GREEN, HERBIE HANCOCK, THELONIOUS MONK, JOE HENDERSON, MAL WALDRON, e muita gente da BLUE NOTE RECORDS.
E, também, PAT METHENY, JOSHUA REDMAN, TONINHO HORTA, e o compositor vanguardista meio maluquete LaMONTE YOUNG.
Aqui estão dois LPs solo que o TIO SÉRGIO descolou a preços em torno dos $ 13 BIDENS, cada. Uns de 70 MANDACARUS, entregues na porta de casa:
THE SOLDIER, é onde BILLIE HIGGINS expõe sua classe, técnica e verve. E, “DRUMSVILLE” é o disco onde PALMER faz versões de CLÁSSICOS em participou das gravações originais. Fica nítida a sua veia para o POP.
São duas pedradas muito bem arremessadas! Procure no YOUTUBE.
EARL PALMER e BILLY HIGGINS foram dois monumentos extra-classe em seus instrumentos, a serviço da melhor música popular produzida em seus tempo!
Certa vez, o GLOBO RURAL, ótimo jornal da TV GLOBO sobre pecuária, agricultura e coisas do campo, fez matéria sensacional, aproveitando o cantor e compositor RENATO TEIXEIRA.
Foi um primor TÉCNICO, ARTÍSTICO e JORNALÍSTICO, realizado pelo veteraníssimo repórter HAMILTON RIBEIRO, profissional ícone da imprensa brasileira, ex-correspondente de guerra que perdeu a perna pisando em mina, no VIETNÃ, em 1968, quando cobria o conflito pela revista “REALIDADE”.
HAMILTON levou RENATO TEIXEIRA para um giro na região de PIRAPORA do BOM JESUS, em São Paulo. E passaram por diversas cidades, filmadas na essência CAIPIRA do interior do Estado.
O texto intercalava citações da clássica “ROMARIA”, gravada por sabe-se lá quantos, mas consagrada na voz de ELIS REGINA, revelando a unidade entre poesia, imagem e sabedoria popular de um jeito emocionante, preciso.
Raras vezes se viu a exposição de alma da gente simples de nosso interior com tanta profundidade, compreensão e humanismo, e ainda conjugados e transmitidos em apenas DEZ minutos!
Para complementar, a revista VEJA também publicou resenha elogiosa sobre o último disco de RENATO TEIXEIRA em parceria com ALMIR SATER. E mais uma vez constatou o óbvio: RENATO escreve soberbamente e compõe a melhor MÚSICA RURAL, CAIPIRA e, vá lá, eu concedo, SERTANEJA! – a definição errada que pegou.
Eu sou insuspeito para escrever sobre isto e dizer para vocês assistirem ao programa no NETFLIX ou GLOBOPLAY (é esse o nome?) . E, claro, lerem a matéria da VEJA.
Digo, também, para vocês comprarem o disco dos caras.
Não é a minha praia, mas poucas vezes fiquei tão comovido e admirado.
RENATO TEIXEIRA está entre os grandes de PINDORAMA! POSTAGEM ORIGINAL 03/03/2021
Cercado e coberto é misto de CIRCO e HOSPÍCIO. Se colocado sobre rodas vira CAMBURÃO, e leva a grande maioria dos habitantes direto para a delegacia.
E boa parte ficaria por lá mesmo…
Falar mal dos políticos é ESPORTE RADICAL em qualquer país. A torcida os vaia; eles fazem por merecer. E a gente nunca erra quando os coloca sob suspeitas. Eles aprontam demais! É só observar…
Mas, o que se há de fazer?
Sem eles a DEMOCRACIA não aflora. E a política bruta estupra a maioria de nós, em vez de…uma suave e sedutora defloração… ( Vai dizer bobagem assim lá no sambódromo, TIO SÉRGIO!)
Porém, o CONGRESSO é o ESPELHO da DEMOCRACIA e da BRASILIDADE. Não duvide, é fato comprovado.
Lá convivem santos e decaídos; prostitutas e padres; boçais e intelectuais; burros e casmurros; os ideológicos, os lógicos e os antológicos…
E todos misturados a parlamentares que são “verdadeiros” pâncreas, rins, fígados e estômagos…, de tão FISIOLÓGICOS… Aliás, a maioria…
E lá se ouvem gritos, suspiros e ssssussurros; e as falas dos mentirosos, dos falaciosos, dos justos e dos brutais…
É LUGAR DE GENTE LIVRE COMO UM PÁSSARO, SEM RUMO FEITO PARDAL e IRRESPONSÁVEL COMO… UM DEPUTADO FEDERAL! OOOPA!!!!!!!!!!
E, assim, onde passa um boi, passa a boiada… ou a gente monta uma churrascaria. Fiquemos, pois, com o CONGRESSO.
O tipo humano que você não encontra nesse CONDOMÍNIO PECULIAR – nem procurando com telescópio ou microscópio – é o INGÊNUO. Desses o céu e o inferno estão cheios! No CONGRESSO NACIONAL os síndicos barram na porta. E eles não resistem a um mandato e nem à próxima eleição… É uma das regras do jogo, e do CONDOMÍNIO…
A perfeição prática da DEMOCRACIA é admitir a imperfeição constatável em cada cidadão, e das próprias INSTITUIÇÕES. Ela é a salvação; sempre.
O segredo, tentamos aprender, mas adianta pouco, é não ter ilusões; e tomar conta dessa boiada marota.
Ainda assim, é melhor garantir os direitos e obrigações cidadãs, em vez de lutar por SALVADOR DA PÁTRIA, ou por uma PUTINIZAÇÃO, BOLSONARIZAÇÃO, ou autoritarismos “pseudo-salvadores”.
Como vai, vai ruim. Mas, sem democracia e seu representante maior, o CONGRESSO, pode ter certeza de que vai piorar. postagem 01/03/2024
NA PÁGINA 304, OS AUTORES DESCREVEM UM DIÁLOGO ENTRE “DILMA E LULA”, NA REUNIÃO HAVIDA NA GRANJA DO TORTO, EM NOVEMBRO DE 2014, PARA A COMPOSIÇÃO DO SEGUNDO GOVERNO DILMA E OS ANDAMENTOS DA OPERAÇÃO LAVA-JATO.
A CONVERSA FOI TESTEMUNHADA POR MUITA GENTE, E A INFORMAÇÃO FOI PASSADA AOS AUTORES DO LIVRO POR UM MINISTRO:
LULA: DILMA, VOCÊ SABE QUAL É A LIÇÃO QUE DEVEMOS TIRAR DESSA ELEIÇÃO?
DILMA: É QUE SOMOS NÓS CONTRA ELES, E NÓS SOMOS MAIORIA, PRESIDENTE.
LULA: NÃO, DILMA, É QUE NÓS ESTAMOS FODIDOS!
E ESTAVAM MESMO. LULA SEMPRE FOI LÚCIDO! Texto original 20/02/2020
Lula quando assumiu deu continuidade à política econômica de Fernando Henrique durante os primeiros quatro anos. O Brasil que ele havia recebido organizado bombou, porque os fundamentos foram mantidos e a conjuntura internacional ajudou incrivelmente. Foi bom para todos.
Mas, Lula precisava “demarcar o governo petista”. Então, os seus robozinhos na imprensa espalharam que o PT pegara o país quebrado. Era tudo mentira, como o tempo comprovou. Mas, infelizmente coisas da política…
Havia uma certa confluência ideológica e de princípios entre tucanos e petistas. Cada qual a seu modo era socialdemocrata. Petistas mais à esquerda, estatistas e corporativistas, não se importavam com as contas públicas. Os tucanos mais à direita, gostavam da presença do Estado em parte da economia, e haviam aprendido que manter as contas em dia é fundamental. E, por isso, tenderiam ao híbrido social democracia/liberalismo econômico. Conviviam, portanto, mesmo que às turras.
Mas, na esteira da tragédia econômica perpetrada pelos governos de DILMA ROUSSEFF, a conjuntura levou a quem sobrara na luta política: BOLSONARO, que há muito vinha se posicionando e herdou o antipetismo da sociedade daquela hora, e ganhou a eleição.
Há um problema ideológico insolúvel entre petistas e bolsonaristas. Então, eu pergunto: Como seria possível enfrentar uma oposição que, literal e necessariamente, seria radical? BOLSONARO partiu para o confronto direto e permanente, que foi se cristalizando no governo dele, com projeção para o futuro.
Ele, tem razão! Por melhor que faça sempre será contestado e não reconhecido. E, até o momento está ganhando a disputa.
Conseguiu passar a reforma da Previdência; e conseguiu por vias ortodoxas diminuir radicalmente o custo dos juros anuais pagos pela dívida pública interna.
Em 2015, DILMA pagou 583 bilhões de reais. Em 2019, Bolsonaro pagou algo com 373 bilhões de reais. E mesmo com a dívida bem maior do que ele herdou, a queda radical no pagamento de juros gerou sobras de caixa para 2020.
Ou seja: ortodoxia monetária funciona! Só entre Previdência e Dívida pública a perspectiva de melhora fica evidente. Sem falar em concessões e privatizações. Haverá outras reformas que reforçarão os fundamentos da economia.
Um amigo observou que, no governo Bolsonaro, não foi anunciado nenhum plano de obras. O que é muito bom para o país que, pela primeira vez, está focando terminar o que foi iniciado, antes de propor outras coisas. E está sendo feito. É um mérito enorme do governo atual!
E quando o executivo reclama da castração orçamentária proposta pelo legislativo, o faz com muita razão. Ele cortou dinheiro que o próprio executivo conseguiu. O legislativo deveria ter a compreensão de que há necessidades que também são prementes no executivo. E fiscalizar. Mas, já estão conversando e, certamente, se entenderão – de um jeito ou de outro…
Há enormes dificuldades pela frente e, muitas delas, criadas pelo próprio governo e a sua incapacidade de fomentar diálogo com os adversários. Paciência. Apenas um outro detalhe: não há, por enquanto, nada, nadinha contra Jair Bolsonaro. Ao contrário; durante o pouco tempo de governo dele não se ouviu falar em corrupção diretamente criada ou forjada no executivo.
Portanto, isto me leva a uma perguntinha capciosa: NÃO TERIA SIDO MELHOR SE O AÉCIO TIVESSE GANHADO AS ELEIÇÕES CONTRA DILMA, em 2014? Ao menos não teríamos a crise política que se seguiu, e o governo dele teria tomado as providências saneadoras muito antes. O Brasil jamais teria chegado ao ponto ao qual chegamos! E hoje a disputa política provavelmente estaria centrada entre adversários e não entre inimigos.