DON McLEAN – AMERICAN PIE – A ODE AO ROCK CONSERVADOR

Geralmente não gosto muito do ROCK AMERICANO. E este CD entrou em baita rolo com velho amigo. Foi bom para os dois.

DON McLEAN é um bom

cantor FOLK. Suas melodias e arranjos são algo recorrentes e datados. E, mesmo fazendo boas letras, bem encaixadas, está longe do talento de um GORDON LIGHTFOOT. E, claro, nem é possível compará-lo a DONOVAN e outros mais votados.

Acontece que DON compôs um clássico absoluto. Tão significativo que só não tornou-se um STANDARD, porque tem mais de 8 minutos e letra imensa para ser repetida.

Foi entendida como homenagem à morte de BUDDY HOLLY. E falta completar que, no mesmo desastre aéreo, em 1958, morreram também RICHIE VALLENS ( LA BAMBA) e BIG BOPPER, um quase famoso em ascenção.

HOLLY já era artista pronto. Com vários Hits tocando e cantando seu ROCKABILLY agitado, e tão relevante que virou inspiração para o nome dos ingleses THE HOLLIES, sucesso na década de 1960, e parte dos 1970.

DON McLEAN compreendeu a extensão artística de HOLLY, sua interação com os jovens americanos, e o que significava em termos de aspirações, história, e o emocional dos fãs.

E escreveu essa ODE ao ídolo que, ultrapassa e muito, do que apenas ele.

AMERICAN PIE é um compêndio histórico do que aconteceu com a música, principalmente o ROCK, seu desenvolvimento, problemas. E, mais do que isso, contestação estética, filosófica, existencial, aspirações e destruições consequentes.

McLEAN compôs e cantou sobre esses fatos. E conseguiu, através de METÁFORA, expressar a ruptura do cotidiano:”AMERICAN PIE” , uma torta “americana”, quer significar sobre a rotina, o conservadorismo, e o esperado; que foram rompidos quando um ídolo integrado desaparece, abrindo fenda que revela vulcões, o inesperado, o subversivo.

No decorrer da música, ficamos sabendo que a grande aspiração dos jovens dos 1950, de comunicar-se romanticamente, através dos bailes, casarem-se, foi sendo rompido…

Ele não intui ELVIS, outro contemporâneo entre o integrado e o subversivamente sensual.

Mas, diz poeticamente sobre os ingleses, que iniciaram emulando os americanos; e acabaram por subverte-los, pondo em risco existencial a geração que ouviu e compreendeu os BEATLES, em SGT PEPPERS, ou em HELTER SKELTER.

E, também, os contemporâneos americanos e suas experiências com drogas, Há citação nada encoberta dos BYRDS, em EIGHT MILES HIGH.

E JANIS JOPLIN, caricaturizada em uma cantora de BLUES a quem perguntou sobre “alguma novidade mais alegre” – e ela fugiu, porque não havia… Coisas daqueles tempos…

O refrão “THE DAY THAT MUSIC DIE” repetida a música inteira, pode ( e eu acho que deve ) ser interpretado como os vários dias, e as tantas vezes em que a música morreu, perdendo sua característica de algo construtivo e afetivo, tornando-se metáfora para algo ruim, corrosivo, preocupante, inconclusivo…

Se bem compreendi, essa ODE AO PROFUNDO E ATÉ AO DESAGRADÁVEL, teve outro alvo claro: OS ROLLING STONES, e principalmente o “JESTER” , O JUMPING JACK FLASH, O GRANDE PALHAÇO SINISTRO dos palcos, MICK JAGGER.

Ninguém representou tão bem a quebra de valores como religião, tradição e ordem, quanto JAGGER. Talvez um Pan sexual promíscuo buscando o fogo do inferno, e que “sentava-se em um castiçal de velas em chamas”.

Tudo isso está lá, no vasto poema; de maneira quase figurada, mas sem qualquer dúvida para quem acompanhou o féretro da civilização ocidental, sob alguns pontos de vistas nítidos na segunda metade dos anos 1960…

Para terminar, mas bem no começo, há citação sobre LENIN lendo MARX, como a subversão dos valores americanos mais estimados.

E concluindo, uma alusão ao “LAST TRAIN” para sabe-se onde… lembranças dos alienados MONKEES?

Quer dizer: DON McLEAN regurgitou e expeliu um CLÁSSICO. Para mim, fica nítido que ele apreciava a estabilidade conservadora da cultura americana.

Mas, como é muito bem escrito, vários talvez discordem.

Se DON McLEAN é conservador, reacionário não é.

AMERICAN PIE INCOMODA.

Bye, Bye..

SLOWDIVE, LUSH, RIDE e OUTROS RESGATADOS. A VOLTA DO “SHOEGAZE”

A sensação de que tudo na vida, artes incluídas, se transformou em um “eterno presente”, mais ou menos à partir de 1970; e revelando tendência à permanente “atemporalidade”, até hoje me deixa perplexo!
Quando se pensa no desenvolvimento da música, e nem sempre por causa de cada obra em si que, em sua imensa maioria, surgiu para ser consumidas no ato. Mas, pela sobrevivência de parte do passado, que se mantém no presente quase incólume, através de vários estilos e artistas.
Vide, por exemplo, a influência do mais que cinquentenário HEAVY METAL, e a persistente atualidade de bandas como LED ZEPPELIN e BLACK SABBATH, ainda a base sacrossanta do gênero, apesar de evoluções, mudanças, e outras propostas.
A perenidade é luxo. Geralmente existem apenas a criação, divulgação, acontecimento e fim. Arquiva-se e vamos para outra…
Porém, na sociedade contemporânea, com evolução da tecnologia, a massificação promovida pelo marketing, e à parte as qualidades intrínsecas da criação, a memória do acontecimento sempre pode ser recuperada.
E dela podem surgir outras fusões, entendimentos, e suportes para além do imediato. Há “momentos vindos do pretérito, e estendidos no presente eterno imediato”…
Seria?
O ROCK é pleno de “revivals”. Recuperações de ídolos do passado, e suas influências nas propostas do presente.
Neste momento, artistas surgidos 45 anos atrás, e até mais tempo, voltaram à tona. E os melhores entre eles, portanto já “estendidos indefinidamente”, se mantiveram no circuito.
Recentemente, vimos THE CURE, SIOUXIE & THE BANSHEES, PRETENDERS, NEW ORDER…, em meio a outros, se apresentando renovados.
E, o mais interessante, incorporando estilos e técnicas da turma que os sucedeu, lá pelo início dos 1990. Isto fez e faz a diferença…
Quando houve, no BRASIL, em 2023, o festival PRIMAVERA SOUNDS, estava anunciado o inglês SLOWDIVE. Banda desconhecida por aqui, e com certo prestígio, mas vendas pequenas.
Eu gosto. E tanto quanto do LUSH, e o RIDE. E postei os CDs que deles todos mantenho.
O SLOWDIVE veio meio capenga, porque a vocalista principal, RACHEL GOSWELL, estava com problemas de saúde desde a passagem da “troupe” pelo CHILE, onde foram recebidos efusivamente!!!
Mesmo assim, RACHEL esteve nos palcos pilotando os teclados sem grande encantamento, mas provendo a “base bem anos 1990” que o grupo segue.
Eu assisti ao show no CHILE , via YOUTUBE. A qualidade técnica do evento está ruim. Mas, fiquei surpreso quando soube que vinham se apresentando há muito tempo com o repertório curto, insuficiente.
A banda gravou pouco…Mas, permanece agitando…
Em linhas gerais, o SLOWDIVE é mistura do “DREAM POP” com “AMBIENT MUSIC”. Destacando o vocal da baixinha RACHEL…
E, quando estão no palco, “encenam” o …”SHOEGAZE”.
O efeito geral é melódico, “esvoaçantes, e agradável.
Aprendi com meninos e meninas que trabalharam comigo na CITY MUSIC, uma das lojas que tive na década de 1990, sobre a mudança das perspectivas musicais nos 1980/1990.
O ROCK ALTERNATIVO, à época emergente, prescindia e recusava o virtuosismo egoísta. Gente como SATRIANI, ALVIN LEE e MALMSTEEN passavam anos luz dos alternativos.
A música passara a ser interpretada como uma concepção de grupo. Um Coletivo; conceito que se instaurou, nas últimas décadas…
Mas, francamente, juntando os discos que tenho do SLOWDIVE, o somatório daria um excelente álbum POP.
No entanto, um dos quase HITS da banda, ALLISON, tem melodia perfeita, linda! E, para mim, está entre as dez canções meio desconhecidas mais bonitas e viajantes do POP ROCK!
Em nível e companhia de “EXPECTING TO FLY”, 1967, música PSICH/PROG solitária de NEIL YOUNG, gravada pelo BUFFALO SPRINGFIELD; “JILL”, pepita psicodélica instantânea e simultaneamente recatada e reluzente gravada por GARY LEWIS & THE PLAYBOYS; e “PRETTY SONG OF PSICHED OUT”, outra beleza explícita feita pelos também americanos da “GARAGE BAND” “STRAWBERRY ALARM CLOCK” – e ambas em 1968.
Porra!!!! ( hummm…), TIO SÉRGIO!!!! Estas são velhas demais!!!
Sim, e muito delicadas, e contendo o travo psicodélico “histórico” que perpassou os tempos…
O último disco que o SLOWDIVE lançou, EVERYTHING IS ALIVE, foi considerado entre os melhores de 2023… Sei lá…, mas bom é; e reafirma o estilo da banda…
Eles ganharam matéria destacada na imprensa inglesa, sublinhando a volta do “SHOEGAZE”
à moda. A rigor, é apenas uma postura das bandas no palco: a turma toca baixo e guitarras olhando para os próprios sapatos, como se concentrados na execução da música…
Com o tempo, virou sinônimo de um “estilo” do início da década de 1990!
RIDE, LUSH, SLOWDIVE, e uma penca neste “BRIT BOX”, tipo MY BLOOD VALENTINE, CURVE, PALE SAINTS, CATHERINE WHEEL, MOOSE, etc… se apresentavam desse jeito…e soam na mesma linha.
O som que produzem tem nada com esse “olhar cabisbaixo concentrado”, é claro! E ficou associado às bandas que focam nas guitarras distorcidas e pesadas; arranjos viajantes e vocais geralmente femininos e melódicos, ou seja, o DREAM POP… e suas variações.
Quem assistiu ao THE CURE, recentemente, observou que a turma das guitarras e baixo, estava “analisando os sapatos feito engraxates”… E criaram um BLEND muito sugestivo entre os ROCKS ALTERNATIVO e o PROGRESSIVO.
É a evolução sobre aquele passado de 45 anos atrás, que retornou revigorada pela sonoridade da turma da década de 1990 … Resumindo, algo bem novo e interessante!


Procure ouvir. 

SLOWDIVE & OUTROS RESGATADOS. A VOLTA DO “SHOEGAZE”

Entre os fatos e coisas que me surpreendem, é constatar a tendência à atemporalidade, que a vida – artes incluídas – tomaram no mundo pós 1970.

A sensação é que tudo se transformou em um eterno presente. Principalmente, quando se fala de artes, e nem sempre por causa das obras em si que, em sua maioria, surgiram para ser consumidas no ato.

Perenidade é luxo. Geralmente existem apenas a criação, divulgação, acontecimento e fim. Arquiva-se e vamos para outra…

Porém, na sociedade contemporânea, com evolução da tecnologia, a massificação promovida pelo marketing, e à parte as qualidades intrínsecas da criação, a memória do acontecimento sempre pode ser recuperada.

E dela podem surgir outras fusões, entendimentos, suportes para além do imediato. É o “momento vindo do pretérito, e estendido no presente eterno imediato”…

Seria?

O ROCK, por exemplo, é pleno de “revivals”. Recuperações que podem trazer os ídolos do passado, assim como as influências deles nas propostas do presente.

Neste momento, artistas surgidos 45 anos atrás voltaram à tona. Mesmo que os melhores entre eles, portanto estendidos indefinidamente, jamais tenham saído do circuito.

Recentemente, vimos THE CURE, SIOUXIE & THE BANSHEES, PRETENDERS, em meio a vários, se apresentando renovados, mas incorporando estilos e técnicas da turma que os sucedeu, lá pelo início dos 1990. E isto fez e faz a diferença.

Quando houve o festival PRIMAVERA SOUNDS por aqui, em 2023, estava anunciado o inglês SLOWDIVE, grupo de certo prestígio, mas vendas pequenas. Eu gosto. Agora, postei os CDs que deles mantenho.

O grupo veio meio capenga, porque a vocalista principal, RACHEL GOSWELL, estava com problemas de saúde desde a passagem da “troupe” pelo CHILE, onde foram recebidos efusivamente!

Mesmo assim, RACHEL esteve nos palcos pilotando os teclados sem grande encantamento, mas provendo a “base bem anos 1990” que o grupo seguiu.

Eu assisti ao show no CHILE , via YOUTUBE. A qualidade técnica é ruim. Mas, fiquei surpreso quando soube que eles vinham se apresentando há muito tempo com repertório curto, insuficiente. A banda gravou pouco…Mas, permanece agitando…

Em linhas gerais, o SLOWDIVE é mistura do “DREAM POP”, com ênfase no vocal feminino, e “AMBIENT MUSIC”. E, quando estão no palco, “encenam” o …”SHOEGAZE”.

O efeito geral é belo e agradável.

Aprendi com meninos e meninas que trabalharam comigo na CITY MUSIC, uma das lojas que tive na década de 1990, sobre a mudança das perspectivas musicais nos 1980/1990.

O ROCK ALTERNATIVO, à época emergente, prescindia do virtuosismo egoísta. A música passara a ser interpretada como uma concepção de grupo. Coletiva; palavra que se instaurou, nas últimas décadas…

Mas, francamente, juntando os discos que tenho, o somatório daria um excelente álbum POP.

Um dos quase HITS do SLOWDIVE, ALLISON, tem melodia perfeita, linda! E, para mim, está entre as dez canções meio desconhecidas mais bonitas e viajantes do POP ROCK!

Em nível e companhia de “EXPECTING TO FLY”, 1967, música viajante e solitária de NEIL YOUNG, gravada pelo BUFFALO SPRINGFIELD; “JILL”, pepita psicodélica perfeita de GARY LEWIS & THE PLAYBOYS; e “PRETTY SONG OF PSICHED OUT”, outra beleza explícita feita pelos também americanos “STRAWBERRY ALARM CLOCK” – e ambas em 1968.

Porra!!!! ( hummm…), TIO SÉRGIO!!!! Estas são velhas demais!!!

Sim, e todas delicadas; e contendo o travo psicodélico “histórico” que perpassou os tempos…

O último disco que o SLOWDIVE lançou, EVERYTHING IS ALIVE, foi considerado entre os melhores de 2023… Não achei pra tanto, mas é bom; e reafirma o estilo…

Eles ganharam matéria destacada na imprensa inglesa, sublinhando a volta do “SHOEGAZE” à onda!!! Que, repetindo, é apenas uma postura da banda no palco: a turma toca baixo e guitarras olhando para os próprios sapatos, como se concentrada na execução da música… e que se tornou “estilo”, moda, no início da década de 1990!

RIDE, LUSH, SLOWDIVE, e uma penca neste “BRIT BOX”, tipo MY BLOOD VALENTINE, CURVE, PALE SAINTS, CATHERINE WHEEL, MOOSE, etc… se apresentavam desse jeito…e soam na mesma linha.

O som que produzem tem nada com esse “olhar cabisbaixo concentrado”, é claro! E ficou associado às bandas que focam nas guitarras pesadas, arranjos viajantes e vocais geralmente femininos e melódicos, ou seja, o DREAM POP… e suas variações.

Quem assistiu ao THE CURE, recentemente, observou que a turma das guitarras e baixo, estava “analisando os sapatos feito engraxates”… E criou um BLEND entre os ROCKS ALTERNATIVO e o PROGRESSIVO.

É a evolução sobre aquele passado de 45 anos atrás que retornou revigorada…

Procure ouvir.

GARY BROOKER, VOCALISTA DO PROCOL HARUM – SOLO

 

Há gente com enorme e reconhecido talento, mas que não consegue transcender em carreira solo o que produziu no grupo de origem.

Alguns casos de ícones óbvios: FREDDIE MERCURY sem o QUEEN; MICK JAGGER fora dos STONES; IAN ANDERSON, à parte o JETHRO TULL.

GARY BROOKER teve criativa, longeva e bem sucedida carreira com o PROCOL HARUM.

Mas, quando o ROCK PROGRESSIVO decaiu, gravou três discos medianos, com boas faixas pontuais, na década de 1980.

Claro, trouxe amigos para participar. Artistas como ERIC CLAPTON – de quem era íntimo -, GEORGE HARRISON, PHIL COLLINS, entre diversos, o que aumentou o interesse do público, e tornou os discos objetos de coleção.

GARY BROOKER sempre foi um grande cantor de “RHYTHM’ N’ BLUES”, e BLACK MUSIC, em geral. O que o tornou um vocalista diferenciado no campo do ROCK PROGRESSIVO.

Seus discos solo são bem distintos do que ele fez em grupo. E a sua fantástica e reconhecida voz SOUL / BLUESY nos discos solo permanece firme e intacta!

BROOKER convidou, também, outros letristas no lugar de KEITH REID, o “poeta responsável pelos textos” no PROCOL HARUM.

Álbuns solo impõem responsabilidade total ao artista.

Expondo, inclusive, seu limite de criatividade. As escolhas de instrumentos, arranjos, e outras atitudes profissionais antes tomadas conjuntamente, tendem a se limitar ao artista e ao produtor.

Talvez a imensa identificação de cada um deles com seus grupos originais, os tenham impedido de criar além e melhor do que haviam feito. O condicionamento reforça o bloqueio criativo.

E há, também, a dificuldade em selecionar os repertórios na composição dos SET LISTS para shows, em caso de poucos discos individuais lançados.

E foi o quê aconteceu a esses três grandes artistas.

Lançar disco solo é outro papo.

Talvez?

TERJE RYPDAL – ESTILISTA DA GUITARRA

RYPDAL REFINOU A TÉCNICA DO USO DE ARCOS PARA VIOLINOS E VIOLONCELOS, QUE JIMMY PAGE TENTOU COM OS YARDBIRDS, EM 1967, E USOU MUITAS VEZES COM O LED ZEPPELIN.

DITO ASSIM, É POUCO PARA COMPREENDER A EXTENSÃO E REFINAMENTO DE PROPOSTA E ESTILOS QUE TERJE ULTRAPASSOU.

CLARO, O ARCO É PARTE DA SONORIDADE. ELE É UM GUITARRISTA MAIS COMPLETO, QUE INICIOU NO ROCK E DERIVOU PARA O FREE JAZZ, E A FUSION JAZZÍSTICA. SUA MÚSICA É DE BELEZA EVIDENTE; ELE ESBANJA TALENTOS…

TERJE RYPDAL FEZ CARREIRA NA ALEMÃ E.C.M. RECORDS, ONDE GRAVOU COM DEUS E O MUNDO. E TEM PRODUÇÃO INTENSA NAQUELA MÚSICA SOFISTICADA, CLIMÁTICA E DIFERENTE. TOCOU EM GRUPOS QUE JUNTAVAM TROMPETES, MELLOTRON, ÓRGÃO… ; OU SE ORGANIZAVAM COM FORMAS ALGO CONVENCIONAIS PARA O JAZZ. E, TAMBÉM OUTROS DERIVANDO PARA O VASTÍSSIMO ETC… ALTERNATIVO.

NÃO ESTOU INTRODUZINDO UM ARTISTA COMUM. MAS, COM OUTRAS VISÕES DA MÚSICA, CULTURAS E PERSPECTIVAS.

OS DISCOS ACIMA SÃO DE FASE MAIS PRODUTIVA DA CARREIRA DELE, QUE É DURADOURA E DIFERENCIADA.

PARA CONHECER TERJE RYPDAL, PROCURE “WORKS” , COLETÂNEA EXCELENTE. ESCUTEM. É MUITO INTERESSANTE!

ANNIE HASLAN, RENAISSANCE E CARREIRA SOLO.

O RENAISSANCE e ANNIE HASLAN são grandes. Fazem um misto de FOLK/POP LIGHT e ROCK PROGRESSIVO SINFÔNICO. Realizaram discos muito legais e artisticamente inovadores.

O RENAISSANCE foi uma das vertentes da prolífica linhagem inaugurada pelos YARDBIRDS, que legaram ERIC CLAPTON, JIMMY PAGE e JEFF BECK, os três na gênese do HARD-ROCK e do HEAVY METAL. E, também do ROCK PROGRESSIVO.

O RENAISSANCE começou como projeto de KEITH RELF e JIM McCARTHY, vocalista e baterista da nova banda, em 1968.

Gravaram dois LPs seminais, em sentido diametralmente oposto ao dos outros integrantes, mesclando FOLK, MÚSICA RENASCENTISTA, PSICODELIA e POP MELÓDICO.

A vocal feminino era de JANE RELF, irmã de KEITH. Um cantar algo lúgubre. Mas, claro, já eram ROCK PROGRESSIVO. E, com o tempo, transformaram-se no ILUSION, mais ou menos na linha do RENAISSANCE.

Com ANNIE HASLAN, nos vocais, e mudança radical na formação, o RENAISSANCE foi um grande sucesso, na década de 1970.

Ouçam e tenham “PROLOGUE”, de 1971; e “ASHES ARE BUURNING”, 1972; os dois primeiros discos da nova fase, e que sintetizam muito bem o conceito que pretendiam seguir.

Os discos finais, em torno dos anos 1980, são algo medianos, e com uso de sintetizadores, como pediam aqueles tempos.

ANNIE é pessoa encantadora. Conta-se, que fãs do RENAISSANCE a abordaram, no CANADÁ, se não estou enganado. E a convidaram para fazer apresentações no BRASIL. Ela adorou, e veio mesmo, anos atrás.

ANNIE andou outras vezes por aqui; e há vídeo amador com ela e fãs cantando e tomando caipirinhas, no RIO DE JANEIRO. Há um CD gravado ao vivo em PETRÓPOLIS, no Rio de Janeiro chamado, chamado “UNDER BRAZILIAN SKIES”. E outro pirata e delicioso, gravado com o FLAVIO VENTURINI & BANDA.

ANNIE e VENTURINI são, de certa forma, artistas afins e complementares.

A carreira solo de ANNIE é interessante, e o primeiro disco, de 1977, “ANNIE IN THE WONDERLAND, é um clássico do CROSSOVER/FUSION de POP-NEW AGE e ROCK PROGRESSIVO. Teve a produção instigante e luxuosa de ROY WOOD, que foi marido dela, e mago da música alternativa

ROY era mentalmente instável, e deu vida ao THE MOVE, ao WIZZARD, e fundou a ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA, com JEFF LINNE, no ínício da década de 1970. Um consórcio sacro-iconoclasta, e certamente imperdível!!!!!

O álbum “ANNIE HASLAN”, gravado em de 1989, foi produzido por MIKE OLDFIELD, e tem participação e música composta por JUSTIN HAYWARD, dos MOODY BLUES – outra banda estilisticamente muito próxima ao RENAISSANCE.

É nele onde está a linda “MOONLIGHT SHADOW”, que toca em rádios FM mundo afora.

ANNIE é a precursora/inspiradora de KATE BUSH, ENYA e FLORENCE & THE MACHINE, certamente outras várias. Ela tornou-se modelo e referência para o NEW AGE MUSIC, com acento FOLK e muita doçura no repertório.

Seu repertório é quase “baba”; mas só tangencia. Tudo o que ANNIE HASLAN gravou é delicioso e de bom gosto. ANNIE não é para diabéticos; e muito menos para demoníacos.

Desfrutem sem moderação.

TIO SÉRGIO a respeita e adora!

RYIUCHI SAKAMOTO, MÚSICO SUPERDOTADO.

Os que não conhecem o japonês saberão o quê perdiam quando o conhecerem.

É um virtuose do piano, teclados e da produção. E, mais que isso: é um arrojado intérprete e compositor.

Vai da música POP à VANGUARDA ELETRÔNICA. Fez TRILHAS SONORAS, também; e gravou e tocou TOM JOBIM com mestria e originalidade irrepreensíveis!

RYUICHI SAKAMOTO, que faleceu em 2023, era um dos maiores pianistas de sua geração.

De formação acadêmica impecável; e alma com estadia em botequins, conjunção astral de imensos predicados para um artista dedicado à música popular. Tudo o que legou é de refinamento ímpar!

Na década de 1960, dizia-se pejorativamente que “havia japonês no samba”, quando alguma percussão, arranjo ou execução não rolavam. Isto parou.

E deixou de ser verdade porque os japoneses são, hoje, os maiores recuperadores, preservadores e colecionadores da música brasileira neste planeta, e em sua órbita!

Eles tratam com afeto e devoção do SAMBA DE MORRO, à BOSSA NOVA; de CARTOLA a PAULINHO DA VIOLA; e passando por TOM JOBIM, IVAN LINS, MILTON NASCIMENTO, EGBERTO GISMONTI, GIL, CAETANO…e centenas de perdidos que só por lá você encontra os discos, se quiser escutar ou adquirir…

OS JAPONESES SÃO OS CURADORES DO MUSEU VIVO DA RIQUEZA MUSICAL DE MUITOS POVOS!

Eu sou catador de coisas nas lojas virtuais do Japão. Eles são espetaculares em quase tudo. Fazem o mesmo com o ROCK, o POP, o BLUES, o COUNTRY, sabe-se lá mais de onde, ou o quê?

Sempre dedicados e com a disciplina e o “minimalismo perfeccionista” que nós, brasileiros, ironizamos mas admiramos porque bonito, eficiente e eficaz.

Eles são os historiadores da cultura popular que a imensa maioria dos países não tem a capacidade, ou determinação para fazer ou proteger.

BRASIL, incluído.

SAKAMOTO fez a trilha para o filme FURYO, EM NOME DA HONRA, em que DAVID BOWIE também atua com brilho!

RYUICHI tem discos intrigantes e experimentais, como este DISCORD, 1998; um ELETRÔNICO DE VANGUARDA mesclado à MÚSICA DE CÂMARA CONTEMPORÂNEA. E é “NOISE”…, sim! Vale a pena “instilar” gotas dele na alma…

Gravou, também, com o inglês DAVID SYLVIAN, que era do JAPAN, talvez menos acaso do que se suporia…

Procurem saber sobre esse artista, também. Um dos mais criativos dos últimos 35 anos, juntamente com a islandesa BJORK – ambos sobreviventes e transcendentes do ROCK dos 1980.

O Japa era antenado. Atuava em vários estilos, e com gente tão diferente; experiências que o tornaram um eclético seletivo imprescindível para quem se interessa e gosta de música diferenciada.

E ele nos prospectou muito de perto. Observem os dois CDs do trio MORELENBAUM2/ SAKAMOTO: CASA e A DAY IN NEW YORK, lançados em 2000 e em 2002. São fáceis de achar na Internet; e talvez ainda seja possível adquirir a cópia nacional.

São discos que trazem basicamente composições de TOM JOBIM. “CASA” foi gravado no estúdio na residência do próprio TOM, no Rio de Janeiro, e RIYUCHI toca no piano do maestro. É lindo, brasileiro, e sem deixar de ser universal.

É a nossa alma estudada por três músicos excelentes e dedicados, que acrescentam nuances aos clássicos e standards que o mundo inteiro já conhece.

E “DAY” ( IN NEW YORK ) é igualmente refinado e gostoso, e vai na mesma linha romântico-contida, por assim dizer. Foi gravado em NOVA YORK, no dia seguinte ao final da turnê que fizeram usando o repertório que desenvolveram na estrada.

JACQUES MORELEMBAUM é violoncelista em nível internacional, e PAULA, a mulher dele, é boa cantora, adequada para a nova MPB e, principalmente, para recordar a BOSSA NOVA. São dois CDs legais de ouvir e ter.

Cada um pode ter o SAKAMOTO que preferir. Eu aposto nesses aqui aqui. Por enquanto. O tempo trará outros.

MADELEINE PERROUX – SECULAR HYMNS – 2017

O DISCO É UMA AVENTURA ANTROPOLÓGICA. E FOI GRAVADO EM IGREJINHA DE QUASE DEZ SÉCULOS (!!!), NO INTERIOR DA INGLATERRA, EM 2016.

A CAPTAÇÃO TEM ACÚSTICA PERFEITA E NOS DEIXA A SENSAÇÃO DOS TEMPOS E VIDAS QUE HABITARAM O LOCAL. O CLIMA É DE “ACONCHEGO ANCESTRAL”, POR ASSIM DIZER…

O REPERTÓRIO É CULT E INUSITADO. ALGO BLUESY RESVALANDO PARA O FOLK E UM VERNIZ JAZÍSTICO, PASSA POR TOM WAITS E WILLIE DIXON, EM MEIO A OUTROS ACHADOS.

A PARTE INSTRUMENTAL É PRIMOROSA, MESMO COM CERTAS LIMITAÇÕES VOCAIS INCOMUNS EM MADELEINE. QUE SEMPRE É INTERESSANTE E BOA CANTORA.

TUDO EMBALADO EM CHARME COMPLEMENTAR: FOI LANÇADO PELA IMPULSE RECORDS!

VALE A TENTATIVA. NÃO PERCAM!

CURTIS MAYFIELD – ARTE E MILITÂNCIA

 

CURTIS MAYFIELD COMBINAVA MILITÂNCIA SOCIAL E POLÍTICA PELOS DIREITOS CIVIS E, PRINCIPALMENTE, A CONSCIÊNCIA NEGRA. E FAZENDO ARTE DE QUALIDADE.

ENTRE 1961 E 1996, CONSTRUIU CARREIRA PROLÍFICA. PRIMEIRO, COM O GRUPO SOUL “THE IMPRESSIONS”, DE BASTANTE SUCESSO ATÉ 1970. E, DAÍ PARA FRENTE, COMO ARTISTA SOLO, PRODUTOR MUSICAL E EMPREENDEDOR.

“SUPERFLY”, CONSAGRADA TRILHA SONORA DE 1972, COMPOSTA POR MAYFIELD; “WHAT´S GOING ON”, DE MARVIN GAYE, EM 1970; E “INNERVISION”, DE STEVIE WONDER, SÃO TIDOS COMO GRANDES PILARES DA MODERNA BLACK MUSIC ENGAJADA E CONSCIENTE. CURTIS ERA CONSIDERADO ESTILISTA NA GUITARRA, E RECEBEU EM VIDA A CONSAGRAÇÃO QUE MERECIA.

AQUI ESTÃO 4 DISCOS BEM REPRESENTATIVOS DA CRIATIVIDADE DE MAYFIELD:

O BOX LUXUOSO EDITADO PELA GRAVADORA RHINO, EM 1996, FAZ ÓTIMO APANHADO GERAL DA CARREIRA. E, TAMBÉM, “SUPERFLY”, EDIÇÃO DUPLA E TAMBÉM GRAFICAMENTE BELÍSSIMA DA MESMA RHINO.

E, PARA CELEBRAR A OBRA DE CURTIS MAYFIELD, UM TRIBUTO FEITO POR VÁRIOS ARTISTAS, EM 1993.

ESTA LÁ FAIXA DE JERRY BUTTLER, PARCEIRO NOS “IMPRESSIONS” E GRANDE CANTOR NEGRO, FAZENDO “CHOICE OF COLOUR”, HIT EMBLEMÁTICO DE CURTIS MAYFIELD. E NESTA GRAVAÇÃO A SIMBIOSE PERFEITA ENTRE O “R&B: E A :SOUL MUSIC”, ARREMATADO POR UM “RAP” TOTALMENTE INTEGRADO AO CONTEXTO DA MÚSICA. IMPERDÍVEL!

UM ACIDENTE INUSITADO E HORROROSO DEIXOU CURTIS TETRAPLÉGICO, EM 1996. UM CANHÃO DE LUZ, O TAL “SUPERTRUPPER”, DESABOU SOBRE ELE DURANTE UM SHOW! NINGUÉM MERECE! ELE MENOS AINDA…

FAÇO, AQUI, O MEU TRIBUTO E CONSIDERAÇÃO À GRANDEZA PRODUTIVA E HUMANA DE CURTIS MAYFIELD.

ESCUTEM.

ANITTA E A DANÇA DO “QUEBRA-BUNDA” – “IN MEMORIAM”…

 

Foi inevitável. E chegou a hora quando me rendi ao mito!

Não, queridos, não estou falando do BOLSONARO, mas da ANITTA.

No final de 2018 assisti a seu “concerto” na televisão!

O que achei?

Bom, ela é pequenininha, bonitinha e não tem ideia do que é cantar. E as letras que balbucia são incompreensíveis para os não iniciados.

Entendi nada e menos ainda do novo hit da menina: chato, monorrítmico, arrastado, usando uma orquestra de comunidade para nada. Palavras seguidas por palavras e fazendo sentido nenhum. Som e quase fúria ( uterina ?) “meaning nothing”.

O show foi mitológico! Em um dos sentidos possíveis da palavra mito: algo que sempre existiu, mas não aconteceu. E foi perfeito; PLAY BACK TOTAL!

E sei lá o que o povo achou dele. A Globo não mostrou uma única vez a plateia. Por que será, heim!

Meu falecido tio, NENÊ GARINI, garantia existir um parafusão no umbigo que servia para segurar a bunda evitando que ela caísse. E achava um perigo rebolar demais, porque afrouxava o parafuso e desmontava a estrutura nadegal…

Assistindo a garotada rebolando os glúteos, nessa espécie de “DANÇA DO QUEBRA-BUNDAS”, eu lembrei do velho NENÊ GARINI. E fiquei esperando por bundas várias dispersas pelo palco, em confusão total; e cada um procurando a sua sem encontrar.

Mas, como cantou RITA LEE, “Tá na moda”.

Eu sou velho tolerante, de uma geração que viu de tudo e sabe que o sexo não foi inventado nos anos 1980…

Sei, também, que não é verdade quando se diz que a música de ontem era melhor do que a de hoje. Sempre existiu o ruim, o medíocre, e o popularesco sentimentaloide travestido de emoções não filtradas pelo intelecto.

Os nossos grandes artistas continuam. E os pequenos aparecem, acontecem e vão embora. O negócio é deixar a turma se divertir. Agora, levá-los a sério? Aí não dá, né!

Feliz 2022, ANITTA; que o tempo demonstrou ser mais esperta e reziliente do que parecia. E muito melhor do que a concorrência, vide LUDIMILLA. A menina, hoje, faz parte do “board” de um banco digital. E foi indicada para um Grammy, uau!

Não é pouca coisa!